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Santos e pecadores

por O 6º Violino, em 25.10.19

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Antes de me alongar sobre o tema, uma nota pessoal: As claques podem e devem fazer parte do universo do Sporting, mas não são fundamentais para a sobrevivência do Clube. Importantes, sim, sem a menor das dúvidas. E dentro das claques há que separar o trigo do joio. Nas claques há gente que troca a família pelo Clube, que veste a camisola em todo o lado e que tem elevados custos financeiros, todos pessoais. Há grupos de amigos que choram pelo jogo seguinte para estarem juntos, em comunhão, em festa, num ritual de amor comum. Estes são pequenos exemplos do lado bom das claques, para além do colorido, do apoio em cada bancada, faça chuva ou faça sol.

Mas o mundo das claques está longe de ser um conto de fadas, infelizmente, e no Sporting não é caso único.

O poder, o dinheiro, a promiscuidade com várias direcções e as vidas de luxo são o seu lado negro. 

O poder. Como em todo o lado e em tantas vertentes da sociedade, nem toda a gente sabe lidar com o poder. Na maior parte dos casos há pouca habilidade para lidar com o poder e fazer do poder um bem comum. Normalmente, nos piores casos o poder corrompe, marginaliza e cria facções dentro dos próprios grupos.

O dinheiro. O dinheiro é um problema de gestão desta sociedade. No caso das claques o dinheiro fácil proveniente da venda de bilhetes, permite vidas de luxo subjacente conhecidas e traduzidas em viaturas de topo de gama, vários imóveis e negócios. Repito, é prática corrente em todos os Clubes de dimensão igual ou superior ao nosso Sporting, fruto de protocolos assinados entre as mesmas e direcções que viam nos mesmos forma de garantir "apoio". No fundo, um "negócio bom para ambas as partes". É esta a promiscuidade entre claques e direcções. Um episódio relativamente recente, e para quem tem memória, faz cair por terra uma das alíneas do comunicado da Juventude Leonina, na reacção à dissolução do protocolo por parte da direcção. Decorria o ano de 2012 quando em Braga um protesto contra o então Presidente Godinho Lopes era noticia de última hora. Nesse mesmo dia a equipa do Sporting jogava no norte do país. Na área de serviço da Mealhada os autocarros da claque Directivo Ultra XXI são os primeiros a chegar. Em seguida chegam os autocarros da Juventude Leonina e automaticamente os elementos desta claque entram nos autocarros do Directivo, agredindo, ameaçando, culpando esta claque de ter preparado o protesto contra Godinho Lopes. A isto chama-se política e promiscuidade. Mas mais, era ver quem servia de guarda-costas de Godinho Lopes em vários eventos do Clube. A equação é simples de fazer. Paulo Pereira Cristóvão era vice de Godinho Lopes, e na altura tinha enorme influência na claque, bem como o então director das modalidades, Mário Patrício, um "vet" da claque em causa. Política pura e dura, não há coincidências.

Em resumo, o aparecimento do Directivo deve-se a rixas por causa do dinheiro de um CD...sempre o dinheiro.Isto em 2012.

Desmistificada esta parte, vamos à actualidade.

Inicio da temporada 2018/19, depois da entrada dos actuais Órgãos Sociais, e resultado da auditoria, ficamos a conhecer uma divida das claques ao Clube perto dos 800 mil euros, maioritariamente da Juventude Leonina, referente a milhares de bilhetes por pagar.

Verão de 2019. É assinado novo protocolo entre os GOA e a direcção. No mesmo existem cláusulas e pagamentos a cumprir, naturalmente. E todos assinaram. De boa fé.

Nesse protocolo ficou escrito que os bilhetes da temporada 2018/19 que não foram liquidados na devida altura, seriam pagos em 4 prestações, a cada dia 9 dos meses de Setembro,Outubro,Novembro e Dezembro. Atenção que estamos a falar de bilhetes da temporada passada, não desta.

No mesmo protocolo, já assinado depois do primeiro jogo em Alvalade, acordaram os signatários que o preço da box seria de 115 euros. As boxs desta temporada deviam de ser pagas em 8 prestações. Até ao momento o Directivo pagou um mês e a Juventude Leonina três. As restantes claques pagam regularmente.

Uma das cláusulas para manter em vigor o protocolo 2019/20 era não falharem as prestações da "bilhética" de 2018/19, só que falharam, na minha opinião por acharem que a fragilidade da direcção iria permitir que mais uma vez não cumprissem com as obrigações perante o CLUBE.

Curiosamente, e não há coincidências, os protestos contra a direcção (muitos deles legítimos) começam depois do não pagamento da prestação de Outubro (dia 9). 

Há política e dinheiro nos protestos das claques, não restam dúvidas.

Para rematar, porque o texto já vai longo, um ex-Presidente, por mais pateta que seja, não pode ser impedido de falar numa Assembleia Geral por elementos bem identificados como pertencentes a claques. Não pode acontecer, ponto. Ninguém pode ficar fora de uma Assembleia por medo de distúrbios.

Uma bancada não pode ser invadida por membros de claques, fazendo com que muita gente tenha fugido do seu lugar. Ninguém pode deixar de ir ao pavilhão por medo de distúrbios.

Ninguém pode estar sujeito a levar com pedras, correndo o risco de vida, felizmente as pedras caíram em cima de uma viatura, por acaso particular.

O Sporting não pode ser governado por fora nem pela bancada A,B ou C. Ninguém está acima do Sporting, nem sócios nem direcções. Todos passam, fica o Clube. Respeitem o Clube.

SL

 

 

 

 

 

 

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publicado às 14:49



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