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O Culto do Líder

por Lizardo, em 23.06.16

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O culto da personalidade ou culto do líder tem uma longa história na política, na religião e nas mais diversas disciplinas sociais.

 

A necessidade quase inata do Homem ter uma referência transforma este fenómeno em algo fácil, e numa estratégia usada e abusada pelo populismo.

 

Esta superação de um Homem a um nível superior, mas que habita e convive com os comuns mortais. Tudo lhe é permitido, tudo lhe é aceite, age sempre em conformidade e por necessidade e sabe sempre estar e resolver. Um semideus que se relaciona e vive granjeando um poder que garantiu pela mentira e nunca pelo mérito.

 

O Sporting vive atualmente este fenómeno. Presididos por um culto, uma falácia de verdade e de promessas, que na prática se revelam um real nada. Numa comparação com o passado recente, seja o investimento, sejam os títulos, seja o retorno mediático de vitórias, estamos no mesmo diapasão ou em piores classificações. Para combater este exercício faz-se a comparação a uma única época, esquecendo que meses antes desse ano miserável do sétimo lugar tínhamos chegado com muito mérito e qualidade a uma meia-final europeia. Tínhamos vencido um título europeu no Andebol e contávamos com títulos em várias modalidades e transpirávamos muita saúde nos nossos escalões de formação. O presente não revela nada disto. Muito pelo contrário.


E quando assim é, é necessário avançar com estratégias populistas de cultos de personalidade.

 

Esta semana mais um julgamento chegou ao fim, envolvendo um associado e o Presidente do Sporting. O final era o inevitável, evitando perder mediante uma sentença o Presidente propôs um acordo, que muito gostaria fosse tornado publico. E este resultado faz adivinhar que os três processos colocados a Sócios vão ter um desfecho igual ao que foi colocado ao Jornalista Pedro Marques. Perde o Presidente, perde o Sporting. E a questão que se coloca é a mesma: Quem paga estes devaneios?

 

Só um líder que vive de cultos pode avançar para processar os seus desta forma.
Só um líder que vive na ilusão e procura escapes da realidade se rebaixa a este tipo de episódios.

A capa do Jornal Sporting de hoje representa toda a confusão atual. Confusão entre a imagem do Presidente e a Instituição Sporting. Azevedo de Carvalho não é nem nunca será o Sporting, e muito mal estaria a Instituição se necessitasse de um Semideus.

 

Caminhamos a passos largos para eleições, e estes primeiros momentos de propaganda vazia e sem conteúdo, permitem adivinhar muito do que se está a preparar para cavalgar a candidatura de Azevedo de Carvalho, utilizando os meios de comunicação do Clube. Uma vergonha, pois claro, mais uma.

 

Ao contrário de muitos não tenho muita esperança num futuro próximo. As espirais da história, o seu poder cíclico oferecem-nos dados que não nos podem deixar descansados. Esta forma de estar e atuar não é novidade. E se pesquisarmos, exemplos não faltam e os desfechos dos mesmos não nos podem deixar ficar na passividade.

Passividade essa que me faz muita confusão. Todo um conjunto de ilustres, antigos dirigentes do passado e da atual direção fazem votos de silêncio, apesar de muitos, saberem as suas opiniões sobre o presente. Este silêncio tem sido bem utilizado pelo Semideus. E se assim continuar, no dia que todos desatarem a falar, será tarde demais, e quando todos falam em simultâneo, não se fazem ouvir, e passamos de discurso a ruído num ápice.

Em suma, o barco continua à deriva, todos assistimos à homilia diária, ao culto do “sucesso” e do “mérito”, todos constatamos o oposto, e todos continuamos à espera de outro culto, o do Sebastianismo!

Saudações Leoninas

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publicado às 10:54


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