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Sporting vs Sporting

por Lizardo, em 04.01.17

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As eleições são hoje o centro de tudo no Sporting. Como prova disso, só hoje, no dia do próprio jogo, foram colocados à venda os bilhetes para o encontro em Setúbal para a Taça CTT.

Esquecimentos óbvios de quem trabalha vinte e quatro por vinte e quatro horas, e como sempre ouvi dizer, quem muitos burros toca, algum deixa para trás.

 

E neste começo de ano de 2017, o Sporting vive na sua agonia habitual, sem títulos no passado recente e sem grades expetativas de os vencer no futuro mais próximo.

Para os adeptos, sedentos de vitórias estas eleições podem e devem marcar uma viragem importante e obrigatória na gestão do Sporting. Como está, ou seja, como sempre tem estado nas ultimas décadas não pode continuar.

Não pode continuar a ver o seu passivo aumentar. Não pode continuar a ver os rivais vencer. Não pode continuar a vender os seus principais ativos e a comprar jogadores por atacado para dispensar por zero euros. Não pode continuar a viver o ano zero eternamente. O Sporting precisa de um projeto e de uma equipa diretiva adaptada aos tempos em que vivemos e que compreendam o que é uma SAD.

 

O tempo do Pato Bravo que gritava muito e ameaçava tudo e todos já lá vai, o trabalho faz-se cada vez mais no silêncio e na sapiência das influências, e aí o Sporting está de rastos. Pois os resultados, o reflexo de todo esse trabalho são péssimos em toda a escala.

 

Mas para mudar é necessário explicar aos Sócios a situação real do nosso Clube. E mais que explicar, é importante apresentar soluções a curto-prazo para chegar a uma meta a longo prazo.

Mais que a imagem de um candidato a Presidente, é importante uma equipa de gente capaz e focada a tempo inteiro no Sporting. A SAD tem que se profissionalizar, o mecenato e o “amor à camisola” acabaram com a ideia da casinha pequenina e a sardinha que se dividia para toda a família. Se há trabalho a desenvolver, há ordenado a pagar, e claro, há objetivos a cumprir. Se se cumprem, ótimo, bom trabalho. Se se falha, a porta tem que ser obrigatoriamente serventia da casa.

O lado mais emotivo do desporto tem que ficar na bancada, é aí que há paixão. Na secretária e na frieza dos negócios tem que existir racionalidade e capacidade. E o Sporting precisa urgentemente de uma equipa unida em torno de um projeto credível e adaptado à nossa realidade social em Portugal e na Europa. E sejamos sinceros, não é necessário reinventar a roda, exemplos não faltam pelos mais diversos Clubes deste nosso velho Continente.

Os Sócios e Adeptos vivem também um clima de desconfiança total, ora criticam a sucessão e repetição de nomes, ora criticam a ausência de nomes fortes. Este radicalismo irracional é uma forte entropia no momento de se apresentar uma Candidatura. E a melhor prova disso mesmo é o Conselho Leonino, órgão que deveria ser muito útil à vida do Clube, mas que é um saco de gatos e um passeio de vaidosos, pois todos foram escolhidos com o intuito de angariar votos e não pela sua capacidade intelectual e consultiva. Culpa-se pois o Orgão, e nunca os seus membros e quem os convidou.

 

Posto isto, o Sporting vive tempos de grande dificuldade. Está descaraterizado, é um clube fraturado e dividido internamente na sua família, as pessoas ameaçam desistir outras ama-lo ainda com mais força. E este clima de guerra civil, como a história nos tem ensinado, nunca traz vitórias, muito pelo contrário, destrói e corrói todo um cenário de guerra, levando anos a erguer um Estado que foi dizimado pelos seus. E isso é triste.  

 

Tenho muitas dúvidas na capacidade de Bruno Azevedo de Carvalho, pode falhar desportivamente, mas como sempre o afirmei, só falha quem vai a jogo, e até ao momento falhou em toda a escala. Mas o que nunca perdoarei a Bruno, é o facto de ter destruído o que mais gostava no meu Sporting: o respeito, a cordialidade, o saber estar, o acompanhar e ser criador de tendências, de ser um exemplo, que dava gozo defender nos balcões e nos empregos, entre amigos e em família. Hoje, falamos mais de nós mesmos, pois em casa onde não há pão, ninguém tem razão. E mais que tudo isto, falamos muito de nós, pois o maior problema do Sporting é o Sporting.

Eu tenho esperança, que apareça os que têm ideias e equipas de gente capaz. Que saibam comunicar e apresentar as suas ideias sem circos de Comissões de Honra, onde grande parte nem Associada do Clube é. Que surjam candidaturas com gente nova, sangue novo, uma nova vaga de Sportinguistas, gente formada, conhecedora, com novas ideias e novos caminhos. Os mesmos de sempre, os que nunca saíram e que hoje ainda por lá andam e que desejam voltar o mais rapidamente possível, estão esgotados, falharam. Desde 2001 que temos assistido a esse triste fado.


Que se mude o paradigma. Pena que muito Sportinguista prefira o insulto e a devassa ao debate inteligente e elevado. Ganhava o Sporting, assim, bem, assim, é olhar para o nosso estado em Janeiro de 2017 e fazer contas à vida a mais um ano que foi pelo cano abaixo.

O Sporting é nosso. Cabe-nos a nós mudar! Seguir deuses ou ficar conformado não é a nossa identidade. A mudança urge, é tempo de união. O Sporting é muito maior que todo este clima de paz podre e de insultos.

SL

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publicado às 18:04


2 comentários

De comentador desportivo a 04.01.2017 às 20:23

Quem montou este clima foi quem sabia que nada tinha para oferecer, e que só através desse tipo de expedientes conseguiria pôr as mãos na massa.

Mas permita focar numa parte do seu comentário, uma sardinha para vários, e o mecenato.

O futebol de á uns anos a esta parte na generalidade dos clubes, vive muito acima das possibilidades.
Devido a isso, há muitos clubes com dívidas enormes, pois não conseguem gerar receitas para cobrir despesas.
Penso que deveria de se levantar um movimento no sentido de reverter esta situação.
Não há jogador nenhum que "mereça" ganhar 1 ,2, ou mais milhões por ano.
É um exagero, uma loucura.
Enquanto isso milhões de pessoas pelo mundo com um euro ou menos por dia.

O futebol deveria ser reformulado em termos financeiros.
Eventualmente proporcionaria menos manobras de bastidores, pois muitas destas manobras acontecem devido ao investimento muito acima das possibilidades.

De Rato Azevedo a 05.01.2017 às 15:06

"de ser um exemplo, que dava gozo defender nos balcões e nos empregos, entre amigos e em família."

Exacto. Falta orgulho, raça e identidade a este Sporting.

Saudades de gente boa como José Roquette, Dias da Cunha, Acosta, Manolo Vidal, Beto, Barbosa, Sá Pinto, Paulo Bento, Peseiro, etc etc.

Estes não passam de uma cambada de catraios!

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Sobre o Sporting, com verdade, exigência e espírito critico. Sem reverencias nem paciência para seitas!






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