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Sócios e quotização

por Trinco, em 07.10.16

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No recentemente apresentado R&C do Clube surge como proveito de quotização do exercício de 2015/2016 o valor €7.7M. €400k acima do orçamentado. Isto não é bom, é excelente. Mas também é algo estranho.

 

De facto  esse valor significa um aumento de 18% em relação ao realizado em 2014/2015, que se tinha ficado pelos €6.5M, e significa também uma ainda mais acentuada curva de crescimento.

 

Um disparar, pois no R&C de 2012/2013 o valor de quotização foi de €5.0M (no R&C consta €3.7M mas havia partilha desta receita com a SAD em 75-25 de proporção) o que levando em conta os €6.5M de 2014/2015, deu um positivo aumento de milhão e meio em quotização em dois exercícios (já de Azevedo de Carvalho), com alguma razoabilidade no aumento (15% por ano).

 

Em três exercicios, um aumento de 54% com uma média de 18% ao ano. Sinceramente, acho estranho.

 

Mas a estranheza aparece ainda mais quando se tenta extrapolar o número de sócios pagantes e se compara estes com a noção empírica que se tem (falível, eu sei).

 

Este valor declarado como proveito de quotização, equivale a dizer que, no mínimo, o Clube teria neste momento mais de 49.000 sócios pagantes, num cenário em que todos os sócios contribuíssem no escalão máximo de 12€, o que não é verdade. Havendo sócios nos outros 3 escalões de quotização, este numero será significativamente maior. Sinceramente, custa-me a acreditar. Chamem-me céptico.

 

Como ainda mais difícil me é acreditar que, executando os quase €8.5M orçamentados para 2016/2017, por esta altura, daqui a um ano tenhamos no mínimo, mais de 54.000 sócios pagantes (novamente considerando o cenário de todos estivessem no mesmo escalão máximo). Um orçamento que, diga-se de passagem, depende destes números e explicitamente e descaradamente atira a responsabilização da sua execução para a capacidade dos sócios produzirem receita de quotização. E essa responsabilização acarreta o mesmo na sustentabilidade futura, deste nível de orçamentos.

 

O Sporting, em Junho de 2013, apresentou por Bacelar Gouveia em Assembleia Geral uma radiografia à situação do Grupo Sporting, onde constava, no que diz respeito aos sócios o valor respeitante a Maio de 2013, de 100.956 sócios, com 53.790 pagantes (dos quais 32.516 segundo os cadernos eleitorais de 2013 com capacidade de voto) e 47.166 não pagantes. Ou seja, o rácio de pagantes era de 46.7% sendo que na mesma análise para os 4 anos anteriores a média deste rácio era de 48.8%. O rácio de sócios com capacidade eleitoral era de 31.8% em termos absolutos e 60.4% quando considerados apenas os pagantes.

 

Entretanto houve uma renumeração onde, teoricamente, além dos falecidos, se deveria ter limpo os sócios incumpridores (há mais de 5 anos, costuma ser a bitola), fosse qual fosse a razão para o incumprimento. Estes eram, em Maio de 2010, 41.432 e em Maio de 2013, 47.166, repito. O que se verificou foi uma perda de aproximadamente 5.600 sócios. 8.4% dos incumpridores

 

Já esta semana se festejou a ultrapassagem da meta dos 150.000 sócios. Ora aplicando a média do rácio acima encontrada (48.8%), teremos neste momento 73.500 pagantes (sem extrapolação de escalão) e 76.500 não pagantes. Isto equivale a dizer, que cada sócio, em média paga 8€, 13 vezes por ano. Por maioria de razão ao exposto acima, parece-me igualmente estranho.

 

Isto também quer dizer que, extrapolando, desde maio de 2013 terão entrado quase 30.000 sócios não pagantes. O que, mais uma vez, me parece inverosímil.

 

Obviamente que quantos mais na família e a contribuírem activamente, melhor e mais forte será o Clube, mas, preferindo a verdade e não podendo nem querendo sequer colocar a hipótese da existência de algum tipo de contabilidade criativa ou geração de números que sustentem outras guerras, nem sequer um inflacionar mais ou menos espontâneo e pouco explicável de sócios com capacidade votante, a verdade é que são para mim são demasiados números demasiado estranhos e conducentes a tantas interpretações e teorizações, para a percepção que se tem da realidade experimentada em algumas décadas de Clube.

 

Possivelmente, só em Março de 2017 se poderá percepcionar melhor estes números com a publicação dos cadernos eleitorais conforme consta do regulamento das Assembleias Gerais.Aí, estando estes números correctos, deveriam estar perto de 50.000 sócios com capacidade eleitoral (eram 32.516 para 100.956 sócios em 2013).

 

Veremos!

 

Nota: Post editado em 9/10 para correcção e complementação de alguns valores que em nada alteram os pressupostos e as análises.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:42


5 comentários

De Anonymous a 07.10.2016 às 20:53

Excelente! O que eu e muita gente suspeitava.

De Fernandes a 08.10.2016 às 22:25

Qual foi o valor em 13/14 e 14/15? 5.5 e 6.5?

Aumento de 54% em 3 anos. Os 8.5 milhões não são irrealistas, mas para chegar lá creio que só com uma vitória no campeonato, ou seja, a equipa vai ter que pelo menos estar na luta até ao fim.

De Trinco a 09.10.2016 às 11:09

13/14 não tenho.
5.0 em 12/13, 6.5 em 14/15, 7.7 em 15/16 e 8.5 orçamentado para 16/17
Aumento de 54% em 3 exercícios, uma média de 18% ao ano. Um aumento no mínimo de 17.000 pagantes
Irrealista, já é, para mim, este valor.
54.000 pagantes no mínimo (um aumento em 4 exercícios de 22.000 no mínimo) durante este ano (e não pode ser só ao chegar a Junho, pois a receita tem que entrar completa para fazer o orçamentado), parece-me ainda mais inverosímil.
E nem ligo muito ao numero global de sócios pois tenho noção de como (não) foi feita a renumeração

De Fernandes a 09.10.2016 às 17:46

Obrigado. Concordo que o número total é uma invenção com o objectivo de subir no ranking, mas não vejo razões para suspeitar da receita. De facto são mais 18.000 novos sócios pagantes, mas existem razões objectivas para isso:

A assistência média para a Liga entre 12/13 (26.521) e 15/16 (39.988) aumentou 13.467 espectadores, e muitos são sócios.

Existem sócios que pagaram quotas em atraso (agora é permitido pagar apenas um ano). E ainda existe a nova quota das casas, de 52€, e o efectivo B, com valores acessíveis a muitas pessoas.

De Trinco a 09.10.2016 às 18:21

São no mínimo (e reforço o mínimo) mais 18.000 a pagar 13 meses. E são no mínimo porque essa extrapolação é feita para sócios a pagar o escalão máximo. O que não é verdade. 1 desses sócios equivale a 2 ,3 ou 4 (conforme o escalão) dos outros.
Não digo taxativamente que a receita seja uma fabricação, mas que continuo a achar que há números contraditórios, continuo...

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