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Show me the money

por Trinco, em 04.06.15

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Num serão louco, os Sportinguistas ficam a saber que o treinador para as próximas 3 épocas será Jorge Jesus. A euforia instala-se, tecem-se as maiores loas a quem até há pouco tempo era visto como um enorme grunho, dependente exclusivamente de colinhos nos seus méritos.

 

Pessoalmente não acompanho o estado extático da maior parte dos meus consócios.

 

Antes de mais importa registar, que isso nada tem a ver com o Jorge Jesus. Seja a pessoa, seja o treinador.

Como pessoa, é Sportinguista e isso deveria chegar para o classificar (se bem que a experiencia recente me aconselhe prudência a esse respeito), se bem como isso foi até agora facto irrelevante na interacção da generalidade dos meus consócios com ele.

Como treinador, considero-o um grande treinador, carregado de experiencia e perspicácia táctica. Ficaremos, na parte estritamente técnica, a ganhar, ainda que sobre esse tipo de avaliações tenha algumas reservas pois não consigo separar os contextos da qualidade intrínseca dos mesmos. Teria Jorge Jesus, nas mesmas exactas condições, feito muito mais que Marco Silva? Sinceramente não sei! Sobre os contextos, a sua relevancia e exemplificando, Marco Silva conquista o 1º titulo relevante aos 37 anos, com 4 anos de profissão porque teve o mérito e a sorte de estar nessa altura da carreira num clube que lhe deu essa oportunidade, Jorge Jesus, conquistou-o aos 55 com quase 20 anos de carreira porque só nessa altura chegou a um clube com essas ambições e condições.

 

Também não retiro a legitimidade ao Conselho de Administração da SAD para ter decidido assim. Estão lá para tomar decisões. E arcar com as consequencias das mesmas! Mesmo que isso implique uma inversão de 180º no que foi mandatado pelos sócios, inicialmente em eleições e depois em AG. Sobre isto um aparte. Pressinto que se vai entrar em novo processo de legitimação da direcção, seja por via de um voto de confiança, seja até por novas eleições.

 

Por outro lado, admito que tanto como uma substancial melhoria nos capítulos técnicos, que para mim, em virtude dos contextos ainda estará por provar, o enfraquecer um adversário directo é uma manobra estratégica com impactos que se podem tornar relevantes a prazo.

 

Como positivo ainda, a confirmar-se, o facto de assumir todo o controlo do Futebol, retirando da equação (pelo menos na gestão directa) pessoas que claramente nunca se souberam enquadrar nele, quer na realidade nacional quer na realidade Clube. A transferência do banco para o camarote do Presidente é também para mim uma mais valia, bem como a aparente vontade manter alguns dos melhores valores com potencial de valorização que o plantel tem.

 

Então o que não gosto?

 

Não gosto porque não acredito em almoços grátis. Não gosto porque parece que embarcamos numa amnésia colectiva e nos esquecemos onde e o que tinha levado ao estado em que estávamos há dois anos. Não gosto porque não sei de onde vem o dinheiro. Não gosto porque não sei o que esse dinheiro custará ao clube. Não gosto porque não gosto de ver os mesmos personagens tóxicos de volta. Não gosto por achar que isto é uma aposta de casino. Não gosto por não perceber onde fica o Fair-Play financeiro da UEFA. Não gosto, porque não mudo de opinião em relação a fundos e em relação ao controlo da SAD. Não gosto porque não vejo sequencia lógica nem estratégia de continuidade no que foram estes dois anos de aparente austeridade. Não gosto porque registo uma enorme falta de coerencia no discurso, no cumprimento de propósitos e até na acção. Não gosto porque não foi para isto que mandatei esta direcção. Não gosto porque nunca foi este o rumo que defendi para o Clube.

 

PS1 Não considerando Marco um génio da táctica, ou sequer neste momento um treinador bem acima da média, a minha solidariedade pela canalhice dos procedimentos seguidos para o meter porta fora.

 

PS2 Acho sociologicamente interessante verificar a mudança de opiniões, quer relativamente ao Jorge Jesus, que acima de tudo em relação ao rumo do clube e à presença de personagens na sua esfera, por parte de muitta, muita gente.

 

 

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publicado às 09:09



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Sobre o Sporting, com verdade, exigência e espírito critico. Sem reverencias nem paciência para seitas!






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