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Reminiscências do tempo dos croquetes

por Lizardo, em 06.08.15

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A próxima época está a poucas horas de começar. Os três grandes brilham nos salões das danças de jogadores. Ilude-se ou entretêm-se os adeptos (como escreveu ontem o Presidente na sua mensagem no Site do Sporting) que os Clubes portugueses continuam grandes e com grande presença e respeito no mercado de transferências. Nada mais falso.

Se alguém se entretém com estas novelas são os jornalistas, uns por pouca capacidade profissional, outros por comissões pagas por empresários, que lançam nomes e provocam o desnorte entre os adeptos com vários nomes, alguns completamente descabidos, tendo em conta a qualidade da nossa Liga e a saúde financeira dos nossos Clubes, e no ponto oposto, quando colocam ilustres desconhecidos na rota dos grandes europeus e que depois acabam nas nossas equipas cá da aldeia lusitana. Para rir, só pode!

A realidade é por de mais evidente, o Porto continua, apoiado por quem sabe e por quem controla o mercado, a construir equipas, época após época, não é por acaso que desde a década de 80 ganharam 90% dos campeonatos nacionais, têm títulos europeus e são o Clube, a par de Real e Manchester United, os únicos que sempre marcaram presença na competição rainha do futebol, a Champions.

O Benfica, evoluiu muito nos últimos anos no mercado. Investem forte, e quem investe, por vezes acerta e por vezes falha, acontece a quem tem coragem. Os resultados dos últimos anos estão à vista, com Jesus foram campeões por três vezes, duas finais europeias e uma meia-final. Mas investiram em boa matéria prima, bons jogadores, jogadores com experiência e com capacidade de apreender as leituras de jogo do treinador e com fácil adaptabilidade ao nosso futebol. Sálvio, Gaitan, Aimar, Jonas, Cardozo, Matic, David Luiz, Witsel, entre outros, jogadores formados, feitos, prontos a serem preparados para evoluir e serem rentabilizados.

Já o Sporting há muito que perdeu o comboio do mercado. Na última década pouca tem sido a qualidade de jogadores comprados que tenham gerado grandes mais-valias, sejam elas do ponto de vista desportivo ou financeiro com uma venda. Não fossem os jogadores de Alcochete, e não teríamos conseguido vender um jogador comprado que seja. Pelo menos que me recorde, vendemos o Wolfswinkel por 11 ou 12 Milhões e o oferecemos, sim, podemos dizer que foi uma oferta, o Matias Fernandez à Fiorentina. Depois temos Moutinho, Veloso, Nani, Custódio, Hugo Viana, Illori, Dier, Carriço, Bruma, entre outros, todos nascidos e criados em Alcochete.

Ou seja, o Sporting não tem peso negocial. Não tem capital para se impor e com esta guerra com os Fundos estamos nitidamente encostados à parede e à mercê de empresários de segunda linha. Não é por isso surpresa alguma que se tenham perdido negócios como o de Douglas ou Danilo, ou que tenhamos passado a vergonha de andar a sonhar com os golos de Wolfswinkel ou de Boateng, já em Lisboa, e depois cruzaram-se, uns nas partidas e outros nas chegadas do aeroporto com Mitroglou que estava de malas feitas para o Estádio da Luz.

Vendo bem as coisas, parece que gozam com o Sporting. Parece que aproveitam o chico-espertismo reinante, pois já sabem o que vai acontecer, é muito fácil antecipar o amadorismo. O caso Boateng é evidente. Criou-se um clima e um ambiente, onde o Sporting foi comido como um passarinho. E quando acordou, já tinha caído do ninho.

A este Sporting de agora não basta ter um dos melhores e mais bem pagos treinadores da atualidade, é importante ter uma voz mais ativa e mais agressiva no mercado de transferências. Andar a abrir frentes de batalha, todos os dias, contra tudo e contra todos, só nos leva ao que aconteceu nas últimas duas épocas, 25 transferências, aproveitamos hoje, Slimani, Montero, Jefferson e Paulo Oliveira.

Faltam três semanas para fechar a janela de transferências, e avaliando a dificuldade em reforçar o plantel, com a agravante de termos jogadores lesionados em posições chave do rendimento da equipa, se vendermos jogadores, o plantel poderá ficar mais fraco que na época passada, pois Teo tem que mostrar muito mais, Naldo poderá ser uma solução mas tem que provar ser melhor que Tobias e Rubén Semedo, e Brian Ruiz, é até ao momento o que mais certezas parece oferecer. Se vendermos jogadores chave, como Patrício ou William, Jefferson ou Slimani, esta pode ser uma época “daquelas”, onde tudo começa com muito amor, e a certo momento temos comunicados a dizer que os reforços estão na Equipa B e são o Gauld e o Sacko.

Se querem “entreter” realmente os sócios e adeptos, é muito simples, compre-se jogadores de futebol e não projetos que são escondidos e corridos, época após época. Reminiscências do tempo dos croquetes.

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publicado às 16:11


2 comentários

De Profeta a 07.08.2015 às 14:58

Podemo-nos não nos rever no actual paradigma do futebol-negócio, mas é aquilo que é, e temos que ter a capacidade de nos adaptarmos.

Eu tenho vindo a alertar para a possibilidade de perdermos o caso Doyen. É que juntando a outros processos que demonstram bem a personalidade nada confiável de Azevedo de Carvalho, pode estar aqui um grande 31.

Se neste momento temos um manager de qualidades reconhecidas como é Jorge Jesus, se temos um homem para os combates como é Octávio Machado, porque não trocarmos de Rainha de Inglaterra? Porque não vir outro presidente, mesmo que haja sucesso desportivo? É o futuro do Sporting que está em causa, e não tanto o imediato. Mas é claro, que isso só será uma possibilidade se houver insucesso desportivo. Sempre foi assim, tal como no tempo dos chamados Croquetes. Hoje parece que ninguém votou neles...

De Lizardo a 07.08.2015 às 18:30

Por agora, a "rainha de Inglaterra" tem que continuar, pois da mesma forma, e por mim falo, que fui contra a forma como fizeram cair a direção de Godinho, que tinha sido eleito democraticamente, também aqui, considero que deve cumprir com o seu mandato.

A seu tempo, iremos novamente votar, e é aí que realmente se avalia e faz o balanço. Até agora tem sido, nada mais, nada menos, igual ao que tem sido o nosso Sporting nos últimos 10, 15 anos.

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