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Principios

por Trinco, em 21.01.17

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Ontem, pelas 9.00 da manhã, Azevedo de Carvalho anuncia a adesão, presume-se voluntária, de Jorge Jesus à comissão pela sua honra.

 

Madeira Rodrigues, 10 horas depois, toma a única atitude que alguém com princípios podia tomar, afirmando que Jorge Jesus, não será o seu treinador.

 

Jorge Jesus é um funcionário do Clube. Azevedo de Carvalho o seu presidente. O simples convite deste âmbito a um funcionário em exercício de funções já é algo que eticamente deixa as mais profundas dúvidas e questões. Mesmo considerando o entendimento que existe do Clube neste momento como uma quinta de Azevedo de Carvalho.

 

O que aconteceria se tivesse acontecido ao contrário? Ou que Patrício, Adrien ou William o tivessem feito? Que oceanos de tinta correriam e que bytes e bytes de facebook seriam consumidos para censurar a atitude. Aqui a atitude censurável é de quem convida e de quem aceita. Não de quem assume a rotura perante as opções de outros.

 

A aceitação sinaliza uma opção. Obviamente. Uma opção por uma das partes. E isso tem consequências. No mínimo que a outra parte se sinta desobrigada a considera-lo para o futuro que planeia.

 

Não existindo uma obrigação formal, existe a obrigação moral de uma separação de campos e isenção pública nesta luta por parte dos assalariados do Clube. Como deveria existir o bom senso por parte de quem manda de não os colocar estes nesta situação. Mas como se cede sempre às pressões eleitorais...

 

E foi exactamente isto que Madeira Rodrigues não fez. Tomou uma atitude de princípios. A única que poderia tomar. Uma que é, em termos eleitorais, arriscada e que poderá ter consequências ainda a perceber. Mas tomou-a. Não navegou na paz podre como aconteceu em 2013 com Jesualdo.

 

Afirmou que o principio se sobrepunha à intenção. Que se na 5ª afirmava que Jorge Jesus seria o treinador, mas não nos esqueçamos nem subvertamos a história, condicionando-o à aceitação de mudanças na estratégia e política desportiva, neste momento não poderia manter essa intenção. Por convicção.

 

Poderá ficar agora o problema da indemnização. Madeira Rodrigues, admito com alguma inocência, considera que Jorge Jesus tirará ilações e se comportará com honra. Poderá ser, embora olhando para o historial e o comunicado pelo treinador, me parece improvável. Mas importa não esquecer que este problema, nesta extensão, existe apenas e só porque um Presidente, que agora acumula com o ser candidato, em desespero, e ao ver a sua ambição a esfumar-se com o potencial afastamento do treinador, a 9 meses de eleições, faltando 2/3 do contrato vigente por cumprir, fez uma renovação do mesmo com estas clausulas e por estes valores, bem além do seu mandato. Uma renovação que acrescenta remuneração ao já de si leonino contrato em vigor, com clausulas que tudo protegem um dos outorgantes e tudo fragilizam o outro. E o protegido não é o Clube.

 

Azevedo de Carvalho e Jorge Jesus estão ligados. Simbioticamente ligados. Não há outra maneira de o considerar. E estarão até ao fim. E isto não deixa de tornar mais interessante o spinning que desde ontem é feito entre aqueles que tentavam criar condições para a saída do treinador com objectivos puramente eleitorais.

 

Noutra leitura diria que, para "tenrinho" não está mal...

 

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publicado às 07:49


2 comentários

De Não me deixem cair a 21.01.2017 às 11:17

Sobre os novos desenvolvimentos à volta de Jesus, finalmente um candidato a presidente do SCP que no mínimo, sabe fazer contas. Que é sempre também o mínimo que se exige a qualquer Presidente e/ ou gestor. Para além de questões de carácter, muito mais importantes. E quem falava tanto de gestão danosa ainda vai ter que justificar muita coisa. Como é que é possível um clube português pagar quase 8M a um treinador, em 4º lugar, completamente fora da Champions? E pior, como é que foi possível a última renovação e com o aumento salarial, que hoje já se conhece com toda a certeza, depois de ganhar bola? E que ainda por cima estende o contrato sempre para o próximo mandato? Sendo, como toda a gente sabe, que JJ não se chama Jesualdo Ferreira. E que a par com a mania de antecipar receitas, devia ser sempre "quase" expressamente proibido. Para não chegarmos a situações extremas como em 2011. O mandato com as receitas todas hipotecadas.

Antes de mais JJ nunca teve perfil para treinar o SCP! Nem perfil nem carácter! Que ainda é o mais importante e para isso nem era preciso mais desenvolvimento nenhum – mais uma vez a par com o Bruno, ainda com menos perfil para qualquer função no SCP - para o atirar sempre para o fim da lista de possíveis treinadores do SCP. A par com o não perfil, um verdadeiro mito urbano tanto em relação a resultados desportivos como na gestão desportiva.

Pela primeira vez num clube grande, no caso o SLB, com 60 anos. Onde além de um SLB bem estruturado interna e externamente, sempre com grandes orçamentos, ainda beneficiou das trocas constantes de treinadores nos outros dois grandes. Para ganhar 3 campeonatos em 6. Como seria, por exemplo, se Villas-Boas também tivesse permanecido no Porto 6 anos? O tal a mais de 20 pts e só com uns meses de Académica como experiência como técnico principal. Pela amostra do adjunto Vitor Pereira, 3 anos no Porto, um como adjunto e dois como técnico principal e… 3 campeonatos. Ou até Rui Vitória – o não treinador – no 2º ano de Benfica, a caminho do 2º campeonato. Fora as competições europeias.

E como grande gestor desportivo e na parte que interessa ao Sporting, onde é que estão as grandes vendas dos jogadores indicados por Jesus? Já os flops… Porque até seria admissível pagar 8M a um treinador com uma cláusula que garantisse todas as épocas 80M na valorização de activos. Infelizmente nunca foi nada disso que se passou em nenhum clube de JJ. E este ano até o apuramento para a Champions está complicado. Alguém ainda vai ter que justificar muita coisa. Entretanto e sem qualquer resultado que justifique os dois amigos lá se vão aumentando um ao outro. Num caso, com retroactivos.

P.S. Um Presidente do SCP deve fazer sempre o que lhe parece o melhor para o SCP. Como é que é possível uma franja de adeptos leoninos adoradores de Jesus é um mistério quase tão grande como os aduladores do Bruno. Mas o Presidente do SCP não serve para resolver mistérios. Outra curiosidade é a súbita preocupação com a indemnização de JJ. Portanto com uma possibilidade de futuro. Nunca com a certeza do presente. Com os remédios. Nunca com a doença.

De Anónimo a 21.01.2017 às 17:07

Sem dúvida e para ser mais telegráfico, sem Champions garantida 8 Milhões por um treinador no futebol português configura com toda a certeza um verdadeiro acto de gestão danosa. Como não me lembro de mais nenhum no futebol português. Por alguma razão o Benfica, onde só ganhava metade, despachou-o. E para quem falava tanto de gestões danosas, com toda a subjectividade inerente, conseguiu criar um facto que não deixa dúvidas a ninguém. De qualquer forma JJ nunca dependeu do presidente do Sporting. Nem a contratação e muito menos a desvinculação.

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