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O pior

por Trinco, em 03.05.17

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O futebol nacional vive por esta altura uma das maiores crises da sua história. Esta crise ameaça fazê-lo regredir aos miseráveis anos 90. Não é uma crise de talento, não é uma crise de público (apesar de tudo), não é uma crise técnica, nem sequer uma assim tão evidente crise económica e financeira. É uma crise de práticas, valores e princípios, protagonizadas pelas classes de topo. As classes do dirigismo, quer ao nível dos clubes, quer ao nível das estruturas reguladoras.

 

Os jogadores, são bons. Portugal sagrou-se este ano campeão europeu e o jogador português é cada vez mais apto e tem mercado, havendo jogadores espalhados pelos maiores campeonatos europeus, com presenças em 3 das 4 equipas que disputam as meias finais da maior competição mundial de clubes.

 

Os treinadores, apesar de algumas derivas de inflação despropositada do seu ego em alguns, são igualmente desejados e reconhecidamente fazem um bom trabalho, sendo que cada vez importamos menos e exportamos mais.

 

A formação trabalha bem, deixando de estar quase apenas sustentada pelo Sporting, havendo agora vários pólos a funcionar bem e a alimentar equipas e selecções.

 

As infraestruturas melhoraram substancialmente, quer ao nível dos palcos dos jogos, quer ao nível dos centros de treinos e formação, sendo que até as equipas de menor dimensão se esforçam por se apetrecharem convenientemente.

 

Economicamente, ainda que havendo um acentuar das assimetrias entre as equipas mais apetrechadas e as menos, o "balanço" está minimamente equilibrado, fruto de um maior realismo orçamental (exceptuando as 3 maiores que exponenciam a cada época as assimetrias), longe do que acontecia há 20 ou 25 anos.

 

Os árbitros são fracos como sempre foram, ainda que cada vez mais pressionados e condicionados, alvos constantes dos jogos de palavras, das análises ao frame e das descargas de culpa.

 

Já em termos de dirigentes, o panorama é tristemente diferente. Ondas de acusação e culpabilização permanente, climas de promoção de guerra civil, muito pouco respeito ou sequer decoro, insultos, ameaças, processos atrás de processos, manipulações, conspirações, cartilhas, instrumentalizações, etc. Ao ponto de tal já ser noticia nos media estrangeiros. Ao ponto de já termos passado novamente o limiar da tragédia (e ainda assim tudo continua na mesma toada). Ao ponto de podermos estar a chegar ao limiar do não retorno.

 

Os adeptos, sendo militantes, não gostam de futebol. Aliás não se gosta de desporto em portugal (este clima, por capilaridade, vai contaminar tudo). Gosta~se apenas dos clubes e de ganhar, seja porque meios for. Funcionamos de forma tribal e muito pouco esclarecida, sendo facilmente instrumentalizados e arrastados para  guerras sem quartel e sem que vislumbre de hipótese de alguém sair vitorioso.

 

Quando acordarmos, será tarde!

 

P.S.1 Deixo de parte os paineleiros e comentadeiros, por entender serem um subproduto a desconsiderar liminarmente, de adeptos que vivem parasitariamente do futebol, não tendo por ele qualquer respeito e muitas vezes conhecimento.

 

P.S. 2 Sendo algo de dificil julgamento e aplicação, não considero, no estado ao que se chegou, que as penalizações desportivas reais por incorrencia nestes comportamentos por parte dos dirigentes seja assim tão descabido, já que pontos subtraidos, custam bem mais que multas pagas pelos clubes ou suspensões fantoche.

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publicado às 09:08


2 comentários

De comentador desportivo a 04.05.2017 às 13:38

Boa tarde Trinco.


Na realidade foi criado um ambiente de "pocilga" por um personagem "tóxico" que tem tentado arrastar o desporto para este clima, e que já devia ter sido irradiado do desporto.

Em relação aos jogadores e treinadores realmente há uma baixa de qualidade.
Tirando o Ronaldo que se tornou num goleador e o miúdo do Bayern que poderá vir a ser grande jogador, o resto são jogadores medianos, com um ou outro acima da média.
O treinador do United está em "queda livre", tirando ele não se vê nenhum treinador a treinar clubes de topo, ou mesmo de segunda linha.
Apesar do título europeu, é unânime que Portugal não era a melhor equipa, não tinha os melhores jogadores, nem praticou um bom futebol.

Na década de 80 e 90 Portugal teve grandes talentos.
Trabalhava-se bem a formação, que resultou em dois títulos mundiais.
A partir daí a formação tem vindo a decair, aparecendo um aqui outro ali, mas não em massa como naquela altura.
Por exemplo, não falando só dos mais conhecidos, não há nenhum jogador em Portugal com a qualidade do Barbosa, nem de perto nem de longe.

O "problema" do desporto português é que não há dinheiro, e quando não há dinheiro "não há palhaços".
Mais um exemplo, tivemos um jogador que o ano passado foi o melhor goleador do Sporting, eram notícias e notícias a engrandecê-lo, propaganda atrás de propaganda a dizer que era um goleador.
Chega a Inglaterra nem calça, nem convocado é, numa equipa que teve,a lutar para não descer. Se tiver dúvidas, coloco aqui as estatísticas.
O jogador do Inter outro, que chegou lá como craque mas já foi encostado e provavelmente com guia de marcha.
Na altura avisei, mas mais uma vez, não faltaram os comentários em sentido contrário, e quando assim temos mais que fazer que andar a perder tempo com quem não tem humildade.

O Futebol português tem realmente falta de qualidade, mas em "contrapartida" tem uma grande máquina de propaganda através dos jornais, televisões e de alguns clubes.

Basicamente é um produto, com pouca qualidade, fazem é muito barulho como as vendedoras, para fazerem propaganda ao "produto".



De comentador desportivo a 04.05.2017 às 13:57

"Os adeptos, sendo militantes, não gostam de futebol. Aliás não se gosta de desporto em portugal (este clima, por capilaridade, vai contaminar tudo). Gosta~se apenas dos clubes e de ganhar, seja porque meios for. Funcionamos de forma tribal e muito pouco esclarecida, sendo facilmente instrumentalizados e arrastados para guerras sem quartel e sem que vislumbre de hipótese de alguém sair vitorioso."

De acordo.
Há pouca cultura desportiva em Portugal, e poucos valores éticos e morais.

Em relação aos árbitros, estou em desacordo, tivemos e temos bons árbitros, como José Pratas, Veiga Trigo, entre outros.
O problema é o clima de intimidação que se faz aos árbitros, ameaças, insultos, agressões físicas e emocionais, etc.
Isso não é desporto, e quem se comporta dessa forma deveria ser penalizado, como por exemplo os insultos racistas em que a UEFA pune os prevaricadores.

A única forma de isso melhorar, é os árbitros e observadores, serem completamente independentes e autónomos da Liga e da Federação.

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