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O futsal do Carvalho

por Trinco, em 24.05.17

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Azevedo de Carvalho, 3 meses certos depois de chegado à presidência, festejou efusivamente em pleno pavilhão do estádio da Luz a conquista do 11º campeonato, reclamando-a arrogantemente como sua.

 

Nessa época, 2012/2013, as modalidades contaram com um orçamento de €2.9M para honorários (os salários de técnicos e atletas) a caber ao Futsal cerca de 31% do mesmo (€900k). O plantel desse ano, já comandado por Nuno Dias, contava com 12 formados localmente (à luz da leitura contemporânea desse estatuto), em que 3 eram S20, e 4 estrangeiros, conquistando a Taça de Portugal e Campeonato Nacional, estabelecendo um novo máximo de pontos e de diferença para o 2º, na 1ª fase e sofrendo nos playoffs apenas uma derrota por desempate por grandes penalidades. Ao todo foram conquistados 3 títulos de âmbito nacional pela secção de Futsal.

 

Em 2013/2014, as modalidades contaram com um orçamento de €2.1M para honorários deixando de se saber por ter deixado de ser discriminado, a parcela a caber ao Futsal (admitindo 30%, seriam  cerca de €630k). O plantel desse ano, contava com 12 formados localmente, em que 2 eram S20, e 4 estrangeiros, conquistando a Supertaça de Portugal e Campeonato Nacional. Ao todo foram conquistados 4 títulos de âmbito nacional pela secção de Futsal.

 

Em 2014/2015, as modalidades contaram com um orçamento de €2.7M para honorários (extrapolando uma redução, para acomodar a entrada do Hóquei nos orçamentos, para 25%, seriam  cerca de €675k). O plantel desse ano, contava com 13 formados localmente, em que 7 eram S20 e 5 estrangeiros, conquistando a Supertaça de Portugal. Ao todo foram conquistados 3 títulos de âmbito nacional pela secção de Futsal.

 

Em 2015/2016, as modalidades contaram com um orçamento de €3.8M para honorários (extrapolando para os anteriormente referidos 25%, seriam  cerca de €950k). O plantel desse ano, contava com 16 formados localmente, em que 7 eram S20, e 6 estrangeiros, conquistando a Supertaça de Portugal, a Taça de Portugal, a Taça da Liga e o Campeonato. Ao todo foram conquistados 5 títulos de âmbito nacional pela secção de Futsal, com mais uma prova disputada.

 

Em 2016/2017, as modalidades contam com um orçamento de €6.5M para honorários (extrapolando os anteriores 25%, seriam  cerca de €1.62M). No plantel deste ano, contamos com 9 formados localmente, em que nenhum é S20, e 8 estrangeiros, conquistando para já apenas a Taça da Liga, estando ainda a disputar o Campeonato. Ao todo foi conquistado 1 titulo de âmbito nacional pela secção de Futsal, podendo ascender a 2 nos seniores, e outros 2 na formação (ainda que improváveis atendendo aos resultados das fases de apuramento).

 

Neste período e da formação aproveitámos 1 jogador. Perdemos 2 dos mais promissores directamente para o rival, pusemos 1, igualmente promissor na prateleira. Os restantes espalharam-se por planteis de 1ª divisão sendo na sua maioria jogadores importantes nas suas equipas.

 

Passamos de 8 convocados regulares para a selecção A, para 2 e de 4 estrangeiros para 8 (podendo apenas inscrever 5 a cada ficha de jogo, atente-se), verificando-se complementarmente a ascensão do rival na formação e na aquisição precoce dos valores nacionais, no que é uma estratégia de médio prazo que já foi a por nós preconizada.

 

Ganhávamos 2 títulos em seniores com €900k em 2012/2013 e, com mais uma prova em disputa, poderemos ganhar os mesmos 2, com €1.62M em 2016/2017.

 

No meio disto tudo, do que se vai sabendo, o ambiente deteriora-se com as birras de Azevedo de Carvalho, desesperado com mais um falhanço na sua aposta arriscada de do or die (a explosão no balneário após a derrota na final da UEFA Futsal Cup perante uma equipa que terá um orçamento 3 vezes superior terá deixado marcas), falando-se de vários abandonos, fartos de lidar com os dislates de quem percebe quase nada de desporto.

 

Enquanto isso o rival reforça-se com bons valores nacionais naquela que provavelmente será a melhor escola de formação do país (no estrito ponto de vista do aproveitamento da transição para sénior) que é o Braga/AAUM em que até atletas que por coração poderiam preferir o Sporting, desgostosos com a forma de abordagem e com as estratégias e opções do Clube para o seu Futsal, optam por engolir em seco e assinar no outro lado.

 

Seguramente, caso a equipa ganhe o campeonato (e eu tenho a firme convicção que somos melhores, pese o recente historial de resultados com o previsível adversário que transporta um incompreensível bloqueio), veremos Azevedo de Carvalho aos pulos na quadra a assumir magnanimamente a vitória. Caso perca...

 

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publicado às 09:59


6 comentários

De A.C.F. a 24.05.2017 às 16:35


Excelente texto. Só uma correcção, no 6º bloco de texto em vez de "2015/2016" seria "2016/2017".

S.L.

De Trinco a 24.05.2017 às 17:28

Corrigido. Muito obrigado pelo reparo!

De PF a 06.06.2017 às 15:12

Antes de mais, não sou apoiante do Bruno.

No orçamento das modalidades para esta época está incluído o investimento nas equipas de hóquei e andebol, que foi enorme este ano.

O plantel de futsal tem 2 jogadores novos (Léo e Dieguinho mais caros e Anílton, bem acessível). Saíram 2 jogadores. Essas contas não estão certas. A final da Uefa correu muito mal, mas o caminho até lá foi excelente e apenas este plantel poderia permitir ganha ao campeão russo e ao até então campeão europeu.
Além de que o nosso maior adversário também se reforçou bem. Ao contrário do que se diz, os jogadores que fazem a diferença são estrangeiros e bem caros! Fernando (melhor jogador do último mundial), Chaguinha, Elizandro (selecção brasileira, de passagem para o Barcelona), Patias e Henmi. Além de Jefferson, Franklin e de Cristian que foram buscar ao Barcelona! Qual é o tempo de utilização do Mário Freitas e do Ré, internacionais portugueses, por exemplo?

Temos também de ter em conta a alteração das regras da utilização de estrangeiros em vésperas do inicio do campeonato, depois de o Sporting já ter o plantel formado. Esta regra já tinha sido proposta pelo próprio Sporting há 2 anos atrás, mas na altura não dava jeito ao Benfica (as condições estavam invertidas) e foi chumbada. Este ano já foi aprovada... Coincidências.

Depois fala da ascensão do nosso adversário na formação. Os contratos dos jogadores jovens do futsal não funcionam como no futebol. Basta haver mais aliciamento aos pais dos mesmos e eles mudam facilmente (E sei de fonte bem próxima que o melhor jogador dos juniores do Sporting está com pé e meio no Belém para a próxima época). Os valores envolvidos são irrisórios.

Mais coerência nessas análises, por favor.

SL

De Trinco a 06.06.2017 às 15:52

E uma melhor leitura do que está escrito se calhar também convinha...

No orçamento das modalidades ( €6.5M) estão incluídos todos os gastos com honorários, de todas as modalidades. O que fiz foi uma extrapolação ponderada de valores atribuídos a cada uma, com base no que acontecia quando os valores eram discriminados complementados com alguma informação não pública que sustentam os valores apresentados. O orçamento do Futsal este ano andará perto dos €1.6M apontados.

O plantel tem 4 jogadores novos (Pany, Deo, Léo e Dieguinho), com algumas renovações (que aumentam a massa salarial), tendo saído 3 jogadores seniores (Benedito, Lima e Miguel Ângelo).

Neste período, da formação, aproveitou-se o Varela, perdemos o Miguel Ângelo e o Afonso para o Benfica e o Ludgero foi "emprateleirado" e mandado par ao Chipre (deverá voltar a Lisboa na próxima época).

A final da UEFA correu muito mal e em ponto nenhum do texto foi afirmado que seriam favoritos. Aliás até é referida a brutal diferença de orçamentos (já para não falar de contextos competitivos).

A maior parte dos jogadores do rival que refere, já cá estavam na época anterior sendo que alguns estão longe de ser uma mais valia significativa.

Em relação ao rival, o que me preocupa é estar a formar melhor, e a conseguir contratar os melhores formados localmente ficando bem mais apto a lidar com as regras. Aliás um jogador de selecção, Sportinguista de coração terá ficado desagradado com a abordagem (tardia) ao ponto de ter optado pelo Benfica.

A regra mudou na época anterior. O que mudou nesta foi o tipo de penalização (de financeira para desportiva) pelo seu incumprimento. E o Sporting sabia que a regra era assim e que havia a possibilidade forte de acontecer o que veio a acontecer. No fundo baseou a formação do plantel na xico-espertice, achando que poderia pagar as multas. Agora, a cada jogo, 3 dos jogadores mais caros do plantel ficam de fora.

É irrelevante a conversa dos contratos na formação. Quando falo de formar, falo de formar.
Falo de trabalhar melhor. Falo de conseguir chegar mais cedo ao talento, falo de gerir os recursos e falo de dar perspectivas de evolução e futuro aos atletas. E o Braga, ao nível do aproveitamento na transição para sénior até está bem acima de qualquer um.

O melhor dos juniores ir para o Belenenses é apenas mais um sintoma...que não ficará só por aí

De PF a 07.06.2017 às 16:17

Posso até concordar com tudo o que disse, mas apenas uma nota:

O Braga aproveita bem os jogadores portugueses. Muitos até vêm de equipas inferiores, mas a maioria não são da sua formação. Ter muitos jogadores portugueses, chega em Portugal, com estrelinha (como foi a vitória a semana passada). Se quiserem ganhar algo mais, sabemos que é curto.
Falando dos que jogam realmente, André Machado e Marinho são veteranos. O Marinho já jogou inclusive em vários outros campeonatos. André Coelho e Tiago Brito são provavelmente 2 dos 3 melhores jogadores do plantel e até são internacionais, mas nenhum é formado no Braga. O melhor jogador do plantel é o Bruno Cintra, que é brasileiro. E o guarda-redes, que foi o titular da selecção, é o Vitor Hugo, mas sabemos bem por onde ele já passou. Marafona é formado no Caxinas (esta sim, talvez a melhor escola em Portugal), e por aí fora...

Apenas quero demonstrar que eles seguem uma boa politica no que se refere ao jogador português de qualidade (mesmo não sendo da própria formação, mas que se ambicionamos algum dia fazer melhor do que as duas finais que já perdemos na UEFA, não podemos ter apenas jogadores portugueses.

SL

De Trinco a 14.06.2017 às 10:47

Antes de mais peço desculpa pelo atraso na aprovação e na resposta, mas a disponibilidade tem sido nula.
Sobre o Braga, foi exactamente o que escrevi. É o que aproveita e faz melhor a transição para sénior (não falei de formação no caso).
Obviamente que para ser relevante na Europa, os jogadores portugueses não chegam. Nem defendo isso. Mas, conjugando as limitações regulamentares e as necessidades, desperdiçar recursos em 3 não formados localmente a cada jogo nacional, para os poder ter em 5 jogos europeus, faz pouco ou nenhum sentido. Tal como, inversamente, o faria ter os melhores portugueses, coisa que actualmente se vai perdendo.
Os dois que refere (Coelho e Brito), muito provavelmente jogarão em Lisboa na época que vem. E não será de verde...(sendo que um deles até é leão de coração mas ficou profundamente desagradado com a forma de abordagem do Sporting).

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