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O alvará

por Trinco, em 16.11.15

nave.jpg

 

Finalmente foi deferido o licenciamento da obra do pavilhão, aquele que permite a sua construção. Até ao momento do seu deferimento, o que havia era um o alvará de trabalhos de escavações e contenção periférica, deferido em prazos bem mais curtos. E foi esse alvará que permitiu andar a fazer que se fazia alguma coisa durante 12 semanas.

 

Qualquer pessoa minimamente esclarecida sobre o desenvolvimento dos processos construtivos percebeu, que essas 12 semanas, dado o progresso dos trabalhos, pouco mais foi que uma encenação. Metade desse tempo chegaria para ter a obra no ponto que estava ao fim deste período.

 

Neste momento, finalmente, a obra a sério poderá acontecer. E ainda bem.

 

Mas do painel que anuncia o alvará de obras, outros dados se tornam evidentes.

 

Desde logo o prazo de 16 meses, de acordo com o previsto com o cronograma da empresa de fiscalização, mas que contas feitas acabará já em Fevereiro, a queimar o estratégico momento desejado para a sua inauguração. E isto sem contar com os 2 meses previstos, também no cronograma da empresa de fiscalização para ensaios, vistorias, recepção provisória e obtenção de licenças de utilização. Escusado será mencionar o risco de quaisquer outros atrasos...

 

Pessoalmente, não é este prazo que me preocupa. Mesmo sendo duro de conseguir, acredito que será possível. Assim acha capacidade técnica do empreiteiro e poucos imprevistos à sua volta.

 

Do painel que anuncia o alvará de obras, outros dados são apresentados, que me merecem maior reserva e preocupação. São eles, fundamentalmente, o facto de estarem licenciados 9.103m2 de área total de construção em 2 pisos acima da cota de soleira e 1 abaixo. É que no plano de pormenor aprovado, era permitida uma área de 10.850m2 em 2 pisos acima do solo (4.050m2) e outros 2 abaixo (6.800m2). Isto quer dizer que desperdiçamos, por vontade própria, 1.747m2 (para se ter uma noção, uma quadra ocupa cerca de 1.056m2) de capacidade construtiva. Isto em algo que, na minha opinião deveria ser explorado, nomeadamente na sua valência desportiva, ao milímetro.

 

E importa então saber o que ficará de fora, será cortado ou retalhado do extenso programa apresentado aos concorrentes (ao adjudicatário e aos outros que não tiveram hipótese de rever e valoras as propostas segundo estes novos pressupostos):

  • Serão os 3.000 lugares sentados?
  • Será algum dos 10 balneários para equipas, treinadores e árbitros?
  • Será a sala VIP com catering para 50 pessoas?
  • Serão os 6 camarotes e 50 lugares VIP?
  • Será o camarote presidencial com 50 lugares e copa de apoio?
  • Serão os 230m2 em gabinetes para a direcção?
  • Serão os 600m2 para o Museu?
  • Serão os 500m2 para a Loja?
  • Serão os 600m2 de arrecadações?
  • Serão os 600m2 de ginásios e salas de musculação?
  • Serão os 200m2 de salas para as modalidades?

E importa também saber, porque é que, aparentemente, tendo a proposta vencedora sido valorada para todas as valências, e tendencialmente para 10.850m2 de construção porque é que com esta redução o preço se mantém?

 

Pessoalmente isto preocupa-me porque vejo que, provavelmente a última hipótese de construir um pavilhão em Alvalade, não explora as disponibilidades ao limite. E se já não o fazia no programa de concurso em relação à vertente desportiva, o que mesmo discordando, aceito como sendo uma legitima decisão do Conselho Directivo do Clube, agora, com total desconhecimento sobre o projecto licenciado, o contexto possa agravar-se.

 

É que sendo a última hipótese, ela deveria ser explorada ao máximo de maneira a responder às necessidades reais (e na minha opinião com incidência predominante na vertente desportiva). É que sendo a última hipótese ela não deveria, não poderia ser falha e omissa nessa resposta. É que cada vez mais me parece que se vai construir porque sim, para provar capacidade e agitar como conquista, algo que a prazo será visto como mais uma oportunidade perdida.

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publicado às 11:02


10 comentários

De comentador desportivo a 16.11.2015 às 20:44

Muito bom post.
Mais uns truques do ilusionista, desvendados, e umas falácias desmascaradas.

De Leão Zargo a 16.11.2015 às 22:03

Trinco
Louvo a tua capacidade de nos apresentar com absoluta clareza aspectos que decorrem da construção do Pavilhão e que devem preocupar os sportinguistas. As preocupações que apresentas estão fundamentadas.
Aguardo com interesse e curiosidade que alguém da área da Direcção e directamente ligado à obra se digne explicar o que se passa, as alterações ao projecto que foram efectuadas e se houve mudança das condições contratuais.
Sim, porque agora o Sporting é nosso e, por certo, haverá o devido esclarecimento.

De Trinco a 17.11.2015 às 09:19

Eu não posso afirmar com toda a certeza que algo foi cortado, pois não conheço o projecto. Ninguém o conhece. Nem a comissão de acompanhamento que chegou a ser criada e que desconheço já foi dissolvida. Aliás nem o programa foi apresentado, quanto mais discutido.

O que faço, tendo tido acesso informal ao programa apresentado aos concorrentes, foi extrapolar o que era pedido, com a área permitida pelo plano de pormenor e com a área apresentada a licenciamento e conjecturar que em relação ao programa algo terá sido eliminado (1.700m2 de valências para ser exacto). O que foi não sei. Tenho as minhas desconfianças, mas não posso dizer que sei.

Por outro lado, verifica-se que foi dado um valor para uma construção de 10.850m2 e que agora, aparentemente pelo mesmo valor, vamos ter uma de 9.100m2...

De Paulo a 17.11.2015 às 00:56

E já começaram as bocas:

António Figueiredo responde a BdC: «Se tem tantos adeptos deve necessitar de um pavilhão maior». E dinheiro?

Eu continuo a achar que nada neste mandato é para levar a sério. Excepto talvez o treinador mais caro da história. Um dia com mais calma e menos brunite aguda ainda vai ser possível concluir que todos os clubes têm períodos escuros. E o rival também teve um Azevedo.

E os saldos da marca hoje? Com uma chinesa que aluga espaços para restaurantes chineses. Não há main sponsor mas 10 academias na China. E técnicos? Onde o Barcelona acabou de abrir a segunda. Depois de centenas de campus. Melhor só o marketing do Figo para o PCP chinês.

É só fumaça.

De Trinco a 17.11.2015 às 09:23

A 1ª abordagem ao programa de concurso previa algo maior. 2 arenas para 5.000+2.000 lugares. Sem sequer levarem em conta as limitações do plano de pormenor. Essa foi uma das razões que o concurso teve que ser feito pela 2ª vez, com a entrada da ficope a meter alguma ordem e realismo no programa

De Fernandes a 17.11.2015 às 14:32

"Haverá ainda espaço para a nova Loja Verde, com 400 metros quadrados." (site oficial) Se eram de facto 500m2 cortaram 100m2.

E como já foi divulgado http://s30.postimg.org/fxu6sp0e9/11665408_1082780025083431_4074908247809626605_n.jpg vão existir 3.000 lugares (estes +234 "VIP"), se entretanto não alteraram o projecto.

Não percebo é qual o problema de utilizarem 84% da área disponível. Será que é por menos 5 ou 10% que o pavilhão passa a ser mau? É culpa desta direcção só existir este espaço? É suposto gastarem mais 5 ou 10M€ só para aproveitarem cada cm?

Os prazos, mais dois ou três meses, também são irrelevantes para quem anda à espera há mais de uma década. Se calhar o mais indicado é aguardar até 2017 e então julgar a obra, visto que agora já está tudo decidido.

Cumprimentos

De Paulo a 17.11.2015 às 14:53

E também é recomendável assistirmos a uma completa banalização da marca com esta história das 10 escolas na China. De uma assentada e sem qualquer experiência no Continente Chinês. Insisto, só para se ter uma ideia, é praticamente o número de escolas do Barcelona no Globo! Porque nunca se deve brincar com o que temos de mais valioso. Se calhar não era má ideia arrumar primeiro a casa. Ou também é o Virgílio que está a supervisionar a estratégia de internacionalização das Academias Sporting? Estranho era discutirmos o essencial.

De Trinco a 17.11.2015 às 15:06

500m2 era, de facto, a área pedida no programa de concurso para a Loja. E foi nesse pressuposto que todos os concorrentes se basearam. O estar essa numero no site oficial, poderá revelar onde se cortaram 100m2 dos 1.700m2 que se desperdiçam. Ou então é apenas mais um lapso a juntar a muitos outros que todo este processo foi tendo na comunicação do Clube

Sim, 3.000 lugares era o pedido no programa, incluindo 6 camarotes, 50 lugares VIP e camarote presidencial com 50 lugares, o que poderá dar (não havendo especificação do numero de lugares por camarote) esses 234. Custa-me um pouco mais aceitar que se gaste quase 8% da lotação em lugares VIP. É quase uma claque...

O problema é o espaço não ser assim tão folgado e ainda assim se desperdiçar 16% do mesmo. 16% que daria para muita coisa, aplicado naquilo em que temos mais necessidade que são espaços desportivos. Se o pavilhão não cumprir e suprir as necessidades do Clube em termos de espaços desportivos, desperdiçando esta área, é óbvio que dificilmente o poderei considerar um pavilhão bom. Poderá até ser o mais lindo e confortável dos pavilhões existentes no Mundo. Mas do ponto de vista do Clube, não poderá ser um pavilhão bom. Será melhor que nada? (o argumento estaria mesmo a saltar) talvez...Mas melhor que nada até um barracão seria!

A parte económica também é interessante. Todos os concorrentes valoraram propostas que tendencialmente ocupariam os 10.850m2 (ou muito perto disso). A Somague com €7.2M, a Ferreiras com valor idêntico (ambas + IVA), no que daria um valor de 663€/m2. Verificando ter havido uma redução de área, esta deveria ter dado origem (e pode ter dado pois não há informação) a uma redução no valor de €1.1M. Não tendo acontecido, quererá dizer que o valor do m2 terá passado para 791€ (um aumento perto dos 20%). Se assim for, ainda a obra vai a começar e já derrapa...

Os prazos a mim também me preocupam pouco. Tendo em conta o cronograma da fiscalização, parece-me que há a quem preocupe e interesse bem mais...Por mim, nem me importaria, e sempre disse isso, que demorasse mais tempo desde que a obra fosse inequívoca na resposta às verdadeiras necessidades.

Julgamentos, faço-os permanentemente e de acordo com os dados que tenho. E não será o estar tudo decidido que me inibirá de o fazer.

De Fernandes a 17.11.2015 às 17:16

"Todos os concorrentes valoraram propostas que tendencialmente ocupariam os 10.850m2 (ou muito perto disso).

Esta informação é pública ou é apenas especulação? Pergunto porque desconheço por completo os detalhes técnicos de cada proposta.

De Trinco a 17.11.2015 às 21:27

Não, não é especulação! O Plano de pormenor, conforme informado no post e é público, permitia a construção de 10.850m2. O programa de concurso (que não é público mas sobre o qual não especulo) de tão extenso, dificilmente ficaria muito abaixo dessa área.

Se, ainda assim e num plano meramente teórico, fosse possível o cumprimento integral do programa nesta área, continuaríamos a desperdiçar 1.700m2, o que me parece incompreensível.

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