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Descaracterização

por Trinco, em 07.08.15

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É sabida e globalmente reconhecida a aposta do Sporting na formação. Esta formação, tem conseguido alimentar, com qualidade o plantel principal e mascarado muito das opções falhadas da última década (para ser simpático). Esta formação, não tendo aportado um historial de conquistas aos seniores do Clube, é ainda assim fortemente responsável pelas ultimas vitórias do Clube. Esta formação tem sido, também, uma fundamental geradora de receita, gerando mais.valias financeiras incomparáveis a qualquer outra feita com jogadores contratados. A ausência de aposta real e efectiva nesta formação, com a aquisição por atacado de um contentor de jogadores levou-nos à pior classificação de sempre.

Reconhecendo a legitimidade em alterar este paradigma, relembro que no programa eleitoral  se escrevia:

Ao contrário do que tem sido prática recente, o recurso a jovens criados na formação do Sporting deverá ser uma realidade, à semelhança daquilo que sempre foi tradicional no clube.

ou

A formação será a aposta base da política desportiva

ou ainda

O plantel do Sporting Clube de Portugal será sempre preparado com base numa equipa formada por jovens talentos da formação leonina e jogadores com maturidade competitiva, com a meta de uma redução gradual do plantel para 20 atletas.

Reconheço a legitimidade, mas reservo-me o direito de discordar e o de achar que esta alteração de paradigma deva ser correctamente comunicada.

Se em 12/14, dado o estado quase calamitoso dos quadros técnicos seniores se entendam algumas aquisições com vista a complementar a mesma formação (outras há que continuam sem perceber, ficando a dúvida se em vez desses se tivesse apostado nos quadros da casa, não teríamos agora mais jogadores, melhor preparados - Welder, Piris, Magrão ou Cissé, para não falar de outros), no ano passado , já foi mais difícil entender as apostas em Rosell, Slavchev, Geraldes, Sarr e Rabia por exemplo que nada acrescentaram à equipa, tapando a natural evolução dos nossos formandos, algumas vezes até na equipa B, pelo menos até ao momento em que se verificou a clara diferença qualitativa e estes ganharam espaço, ou até terem conseguido rodar fora de Alvalade.

Este ano, com novo treinador, tradicionalmente pouco sensível ao tema, o que se assiste é nova aposta em "bloqueadores" dos formandos, sob o álibi da falta de experiencia. Esquecendo que experiencia sem qualidade, vontade ou capacidade, pouco vale. E mesmo que alguns se possam entender como aposta no futuro, como era para ter sido Gauld, a verdade é que são jogadores que inibem o desenvolvimento de outros.

O cenário que temos neste momento, será perdermos algo que todos nos orgulhávamos, 7 ou 8 jogadores da formação no 11 para um 11 com apenas 1 ou 2 (ou sem nenhum) e em que estes serão no máximo uma opção (quando não servirem para apenas fazer numero).

Pior contrata-se jogadores, pela sua idade, sem qualquer possibilidade de gerarem mais valias financeiras por períodos de tempo extremamente longos(Aquilani de 31 anos por 3 anos é paradigmático). E isto para mim não poderá ser considerado boa gestão desportiva nem uma gestão sustentada!

A formação não ganha campeonatos dir-me-ão. Poderá ser verdade. Nomeadamente se não tiver qualidade. Agora não se pode é dizer o mesmo e o seu inverso ao mesmo tempo. Não se pode anunciar à boca cheia a aposta e a qualidade da formação e secundariza-la ao mesmo tempo. 

E mais, isto contribui também para o reduzir da capacidade de atracção de novos talentos (percebendo que a história e tradição apenas valerão até certo ponto) e a opção de outros por saírem. E têm sido muitos a fazê-lo, sendo que até para clubes de menor dimensão mas com uma aposta bem mais consistente e sustentada na formação.

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publicado às 08:31


4 comentários

De Profeta a 07.08.2015 às 14:44

Antes esta actual politica de aquisições, do que a politica de aquisições da época passada.

Na época passada só se compraram jovens estrangeiros, que efectivamente não mostraram nada, e taparam o lugar aos nossos da formação.

Esta época tem-se comprado jogadores com carreira feita, de forma a ir complementando com a inexperiência que vem da formação.

Antes um Teo, João Pereira, Aquilani; do que um Slavchev, Mini-Messi, ou Rabia.

A anterior estratégia não resultou. A ver vamos se esta resultará...

De Trinco a 07.08.2015 às 18:17

A qualidade será diferente, a pertinência no grupo se verá, a contradição com a aposta da formação é idêntica e porventura mais evidente ao assinarem-se contratos de 3 anos com jogadores de 31 e sem qualquer expectativa de mais-valia economica

De Leão Zargo a 07.08.2015 às 15:07

Trinco
Lido agora o programa eleitoral do BdC às eleições em 2013 proporciona alguns sorrisos e permite imaginar que alguma coisa coisa se alterou drasticamente.
Recordando os pontos do programa que referes, voltei a ler e encontrei esta preciosidade em lugar nobre logo na introdução:

"O treinador deverá ser sempre escolhido tendo em atenção a sua adaptação à filosofia do clube, nomeadamente tendo apetência pelo aproveitamento da excelente capacidade que o Sporting Clube de Portugal apresenta na formação de novos jogadores (infelizmente, raramente aproveitados como deveriam ser), com um perfil formador, boa capacidade de comunicação e experiência."

Até parece que houve um golpe de Estado... que não foi anunciado aos sportinguistas!

De Trinco a 07.08.2015 às 18:21

A falta de explicação é o que verdadeiramente me entristece. Como escrevi, reconheço a legitimidade de alterar o rumo (ainda que em termos éticos essa devesse ser ratificada pelos sócios, o que diga-se de passagem, nem seria coisa difícil de acontecer). Parece-me é que alterar sem comunicar o mesmo, é pouco respeitoso para com quem, em ultima análise, decide. O Sporting é nosso pode assim ter mais que uma interpretação.

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