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Comissões (de pessoas...)

por Trinco, em 07.09.16

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Surge hoje a noticia, como grande exclusivo do jornal I, a presença numa comissão interna para a audição de ex-presidentes em resultado do apuramento e conclusões da auditoria de gestão, de membros das claques.

 

Na realidade, esta comissão é ela própria um sub-produto e resultado de uma autorização dada em AG de 24 de abril deste ano, para a criação de tribunais arbitrais em substituição dos tribunais cíveis, sob proposta de José Eduardo Bettencourt. Estes, verificaram-se logo, vir a ser de difícil constituição e duvidosa legalidade dado a responsabilidade solidária de todos os elementos dos corpos sociais de cada mandato que obrigava a uma aceitação explicita por todos os elementos, o que nem com a equipa do proponente foi conseguido.

 

Nestes tribunais, existiriam 3 juízes, 1 nomeado por cada uma das partes e um 3º de comum acordo e a tal comissão de acompanhamento, que mais não seria que o público autorizado a assistir ao vivo às sessões, assim numa espécie de "O Juiz Decide". Essa Comissão de 100 pessoas, teve logo a sua proposta de constituição, aprovada nos termos de se compor por nomeados em lotes de 10, cada, pelo Conselho Directivo, pela Mesa da Assembleia Geral, pelo Conselho Fiscal e de Disciplina, pelo Conselho Leonino, pelo Grupo Stromp, pelos Grupo dos Cinquentenários, pelos Grupos Organizados de Adeptos, pela lista do Carlos Severino, pela lista do José Couceiro e pela Lista Independente ao CFeD (mesmo não tendo estes três uma verdadeira identidade comum, pois foram listas que se extinguiram com o fim do processo eleitoral).

 

Acontece que, perante a impossibilidade da constituição destes tribunais arbitrais, em meados de Agosto foi feito saber que se iria proceder à constituição da comissão interna, presume-se formulada nos mesmos moldes, para audição a José Roquette, Dias da Cunha, Soares Franco, José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes. Foi dado a conhecer também por fontes internas do Clube que a Comissão produziria as suas conclusões que seriam enviadas à Assembleia Geral, para decisão de acções sequentes, que considerariam até a retirada das acções já interpostas.

 

Ora o problema aqui, na minha opinião, não é a presença das claques, embora entenda o quão absurdo, dados os antecedentes a coisa possa tornar-se. O problema é o poder que é dado a esta comissão que, na sua essência, é o de um tribunal prévio, sendo difícil descortinar a sua capacidade para exercer esse poder e acima de tudo a justiça e equidade de todo o procedimento.

 

Além do mais, inverte o que poderia ser o normal e razoável curso deste procedimento ao propor-se a ouvir a defesa de ex-presidentes, depois dos mesmos já terem sido judicialmente accionados previamente como são os casos de José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes (mesmo que haja a alegação de dúvidas sobre a natureza e a prescrição). Acresce ainda que se propõe ouvir alguém que até já foi condenado com pena de expulsão do seu estatuto de sócio. Um caso de dispara primeiro e pergunta depois.

 

Pessoalmente tenho as maiores reservas à independência desta comissão e às conclusões que por ela venham a ser produzidas. Dados os antecedentes, custa-me pouco a acreditar na sua submissão aos calendários eleitorais, seja para se tornar um tribunal popular em relação a determinados alvos apetecíveis, seja para permitir uma fuga aos processos em tribunal e limpeza das conclusões em relação a outros agora aliados.

 

No todo, uma tentativa de limpeza de imagem, dando-lhe uns tons mais magnanimes e estadistas, essencialmente por se ter apercebido que a sua base indefectível poderia não ser suficiente e, por isso mesmo, ser preciso agradar à mediana dos sócios, que tendo pouca memória, gosta pouco de belicismos constantes.

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publicado às 09:35


1 comentário

De comentador desportivo a 07.09.2016 às 13:19

Caro Trinco

Com esta direcção já nada nos deve surpreender.
A invenção de um tribunal popular diz bem do estado a que chegou este clube centenário.

O treinador ao fim de um mês queria se ir embora, os adeptos andam á anos a suportar esta palhaçada.

Esta fantochada provavelmente é uma tentativa de não levar o caso a tribunal, pois sabem que não têm razão.

Na minha opinião, e claro se os anteriores dirigentes assim o entenderem, deveriam levar isto a tribunal.

Entretanto o treinador parece que foi aumentado para 8M ano.

Mas o clube não estava falido!? Não diziam que as anteriores direcções pagavam muito, com orçamentos incomportáveis para o clube!?

Eu acho que já chega!



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