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As oposições

por Trinco, em 12.11.15

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No seguimento do post sobre as falácias utilizadas em vazio argumentativo quando e contra quem quer que seja ouse criticar ou discordar do actual status quo, surge a criação do conceito de oposição ou oposições aplicado ao contexto do Clube.

Mais uma vez, este conceito é, neste contexto, uma aberração de quem vê sombras a cada esquina, pois precisa delas como combustível para o seu modo de estar. Poderia ser mais confortável compartimentar e identificar alvos, mas não existe!

Não existe essa oposição que teima em ser apontada. O Sporting não é uma democracia parlamentar, não tem correspondência proporcional dos resultados eleitorais. Nem sequer é, na maior parte das suas decisões uma democracia participada. É uma espécie de democracia indirecta, onde a lista mais votada adquire a legitimidade total para dirigir o Clube durante o mandato que que lhe é atribuído sem que os vencidos tenham interferência funcional nessa gestão. E é assim, seja por um voto, seja por 10.000 votos.

E não existindo, a reclamação da sua existência como condição para legitimar quem critica é absurda. apenas e só!

No limite, o mais próximo que temos dessa representatividade, encontra-se num órgão moribundo e vazio de conteúdo, que opera sabe-se lá como e quando, num quase secretismo "maçonico", que é o Conselho Leonino.

Por outro lado, por mais que queiram acreditar e fazer acreditar o contrário, não existem evidencias grupos organizados nesse objectivo, homogéneos e com pensamento doutrinário comum consolidado. Existiu, circunstancialmente dos dois anos que antecederam as últimas eleições, mas essa não é a norma e seguramente, pelo que me é dado a assistir, não é a realidade.

Existirão grupos de familiaridade, tertúlias, que tenderão a ter as mesmas ideias e desejos, mas longe de serem projectos de poder, e mesmo entre eles, bastante heterogéneos na profundidade e extensão da abordagem critica.

Como sempre houve aliás.

No Sporting, no que à gestão e linhas de rumo diz respeito, cada um é oposição e apoio. No sentido que cada um pensa por si, estabelece juízos por si e decide quando assim é chamado em consciência. Pelo menos assim deveria ser, embora o seguidismo, a omissão de raciocínio e a opinião de eco cada mais vez seja a regra.

Por mim sou, como era e continuarei a ser, em nome pessoal e independente, oposição a tudo o que considerar contrarie o que é a essência do Clube, que desrespeite a sua identidade, que ignore o seu paradigma de fundação, que o limite no seu futuro e que o descaracterize a ponto de o tornar igual ao resto.

Fui, sou e serei, com maior ou menor acção, entre outras coisas, oposição à repetição de erros, à descaracterização, à manipulação, à ignorância, à mentira, à calúnia, à perseguição, aos compromissos pessoais, a alianças voláteis e a interesses escondidos.

Pelo menos até ao momento que me considere total e irremediavelmente estranho numa qualquer realidade que torne este Clube noutra coisa qualquer, com que não me identifique e no qual não me reveja ou não veja possibilidade de reverter.

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publicado às 12:33


10 comentários

De Leão Zargo a 12.11.2015 às 15:25

Trinco
Muito interessante a tua referência ao secretismo maçónico. Na mouche! De facto, o Conselho Leonino parece ter herdado os males antigos e pouco ou nada acrescentar nos tempos actuais. Foi sempre um órgão domesticado pelo poder do momento. É pena, porque apesar do seu carácter essencialmente consultivo possui competências que favoreceriam a democraticidade interna e participativa do Sporting.

Analisas com muita correcção a nossa especificidade estatutária quanto modelo do exercício do poder. “Uma espécie de democracia indirecta”, classificas com muita oportunidade. Sem dúvida, felizmente dá aos sócios a prerrogativa da eleição directa do presidente. Vá lá!

Acrescento algo que me preocupa, quase ao nível do estafado conceito da “empresarialização” do Clube. Com Bruno de Carvalho o Sporting transformou-se num Clube absolutamente dogmático. Por isso, tornou-se complicado discutir assuntos óbvios e que dizem respeito a todos, nomeadamente o que se refere à gestão financeira, organizacional e desportiva. Uma distração ou uma palavra a mais… e cai martelada!

De Trinco a 12.11.2015 às 15:38

Complicado, sempre foi. Antes, quem discordava e criticava, também era tomado por excluído do conhecimento apenas ao alcance de uns eleitos e metido para canto. Ainda assim, quer entre descontentes, mais ou menos engajados numa ideia de rebelião, quer até com alguns dos crentes nas virtudes e boa vontade do projecto, era possível discutir. Com argumentos mesmo. Raramente nos convencíamos uns as outros, mas enriquecíamos com essa possibilidade.

Neste momento, com a difusão massiva do tal argumento, qualquer discussão civilizada esgota-se nessa parede (e muitas vezes assim parece o interlocutor quando ainda tentamos ir mais além).

A democracia no Clube é o que é, e não creio que neste modelo associativo possa ser diferente. Nomeadamente no que a sua gestão directa diz respeito. Agora, não obriga nem pode obrigar ao silencio complacente e ovino, perante o que as realidades nos trazem.

A empresarialização do clube (assim mesmo sem aspas) parece-me poder vir a ser cada vez mais uma realidade disfarçada com o "amor" (assim mesmo entre aspas) ao sócio. Com todos os perigos e vícios de interesse e favorecimento costumam trazer atrelados.

Sobre as marteladas, além de defeito, é feitio.

De Leão Zargo a 12.11.2015 às 16:08

Fazes bem sublinhar que nunca foi fácil reflectir criticamente sobre o Clube, antes ou agora, até para não se perder a noção da realidade. Sublinho isso para não parecer que me esqueci do outro tempo. A diferença maior estará na personalização e na dogmatização do “órgão” presidencial, o que inquina tudo.

A condição de yes man é coisa antiga, no nosso Clube ou noutro. Isto para não sair da esfera futebolística.

De Trinco a 12.11.2015 às 21:37

A referencia ao passado recente, servia mesmo apenas para reforçar que esta é uma prática que sempre esteve presente. Praticada em certos momentos mais no desprezo, noutros mais na perseguição. E reforçando isso, reforça também o facto de sendo assim desde sempre, não quer dizer que esteja bem ou que se concorde.

A condição de yes man é algo profundamente enraizado no "tuga". Isso e o exercício do poderzinho nem que seja por simpatia da proximidade. Pensar e ter opinião sempre foi mais difícil...e perigoso.

De Profeta a 12.11.2015 às 18:28

- Humilhações públicas a figuras como Manuel Fernandes
- Processos a sócios por terem opinião
- Governo-Sombra
- Assembleias-Gerais com monólogos à Chavez com 2\3 horas de duração a falar dos críticos externos e internos (incluindo quem escreve no facebook)
- Processos e difamações a antigos presidentes
- Ridicularizar a história do Sporting dos últimos 50 anos (no discurso de Alenquer)
- Perseguição dos soldadinhos em tudo que é fóruns de opinião
- O caracterizar Sportinguistas de "croquetes", "lambuças", entre demais parvoíces
- Ter um presidente que apela às tropas para não o deixarem cair

Eis alguns exemplos daquilo que querem fazer do Sporting.

O que o Sporting precisava, era de um presidente que não estivesse no Sporting pelo emprego, que pudesse passar o testemunho quando tiver que ser, sem ter a necessidade de fazer dos Sportinguistas uma manada de acéfalos, dividindo o clube.

Os Sportinguistas só têm é que discutir de forma respeitosa e civilizada o que é melhor para o clube, e não o que é melhor para o presidente. Enquanto assim não voltar a ser, o futuro não poderá ser muito risonho...

De Trinco a 12.11.2015 às 21:40

Já me "bastava" um presidente que unisse...e as condições para isso nunca terão sido tão possiveis como em 2013.
Mas a ansia pelo confronto que os alimenta, foi maior!

De Profeta a 12.11.2015 às 22:05

A questão é que BdC tem a noção, que só com muitas demagogias é que alguém como ele chegaria a presidente. Agora, é preciso manter o mesmo registo para manter o poder, e disfarçando o flop que é, com truques de ilusionismo. Temo é que os Sportinguistas só acordem para a vida quando for tarde. Acho que nenhuma instituição terá futuro sem uma identidade própria, tendo complexos de si mesmo, estando dividida e confusa.

De comentador desportivo a 16.11.2015 às 20:57

Grandes comentários, gostei bastante "profeta"

De comentador desportivo a 16.11.2015 às 20:55

Mais um post acertivo, gostei.

" Pelo menos até ao momento que me considere total e irremediavelmente estranho numa qualquer realidade que torne este Clube noutra coisa qualquer, com que não me identifique e no qual não me reveja ou não veja possibilidade de reverter."

Olhe, tenho perdido o interesse em acompanhar os jogos.
Sou apaixonado pelo desporto, mas nos últimos dois anos, são mais os jogos que não assisto.
Perdi o interesse em assistir aos jogos, algo que nem sequer me passava pela cabeça.
Era raro não assistir a um jogo nosso.

De Trinco a 17.11.2015 às 09:12

Vou vendo, até para fazer companhia ao meu sogro. Mas são mais as vezes que estou com pouca atenção e a fazer outra coisa ao mesmo tempo que as que estou focado no jogo.

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