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As lições

por Trinco, em 05.07.16

Never-stop-learning-because-life-never-stops-teac.

 

Frases como "...não recebo lições de Sportinguismo de ninguém" ou "...tens muito que andar até me dares lições de Sportinguismo" ou inúmeras reinterpretações destas, tornaram-se tristemente ecos repetitivos nas discussões mais divergentes nos pontos de vista nos últimos anos, substituindo sem pudor os argumentos fundamentados, fazendo valer um qualquer estado de superioridade intelecto-emocional.

 

O estado de espírito entrincheirado, de preto ou branco, de a favor ou contra, ambos incondicionais e sem remissão, que já dura há mais de uma década e que se amplificou nos últimos 3 anos é em si mesmo um dos piores cancros existentes no debate e na vida do Clube. As facções absolutas e que nada de verdade ou válido admitem às outras, que "discutem" surdamente nunca se ouvindo, muitas vezes sequer a si mesmas, arrastam o Clube para os caminhos da intolerância e afastam os que preferem debater argumentos e fazer juízos críticos assentes no conhecimento.

 

E é também nessa recusa de conhecimento que se amarram as frases acima. Como se alguém fosse detentor em si mesmo e só em si de uma superioridade imensurável que lhe permite rebaixar o outro sem remorso, não percebendo que toda a vida aprendemos, tudo é uma lição. Tudo são lições e conhecimento que devemos absorver. Boas e más.

 

Pessoalmente, procuro sempre a aprendizagem e o conhecimento, retirando ensinamentos para sustentar as minhas opções e convicções. São essas vivencias de conhecimento que me permitem separar o trigo do joio. O que quero, do que não quero. Que me permitem sustentar essas mesmas opções e opiniões. Achar que se sabe tudo, ser dogmático em relação ao seu estatuto e recusar conhecimento, seja ele qual for ou de onde venha, é ser intelectualmente pouco desenvolvido e demonstra a sua própria insegurança na utilização do "argumento" definitivo.

 

Aprendo com o sócio mais antigo que viu os 5 violinos mas que agora pouco sabe da vida do Clube, aprendo com o ultra que vive o Clube de forma intensa e muitas vezes com um excesso que lhe dificulta uma visão mais abrangente, aprendo com quem se sacrifica na sua vida pessoal e económica para estar sempre nos pavilhões e estádios em que o Clube joga, aprendo com quem de boa-vontade deu ou dá o seu tempo ao Clube, ajudando-o e permitindo o funcionamento do seu ecletismo, aprendo com o adepto que só gosta de futebol, aprendo com o sócio que sabe o resultado do jogo da 3ª jornada do campeonato de juniores de 1998, aprendo com o sócio que participa nas AG's, aprendo com quem escreve sobre o Clube, aprendo com quem dá e fundamenta a sua opinião, aprendo com o adolescente que na 2ª feira seguinte a ter perdido o campeonato vai de camisola do Clube para uma escola onde está em minoria, aprendo com a criança que ao jantar, do nada põe a mesa toda a cantar o "O Mundo Sabe que..."

 

Mas também aprendo com quem só se lembrou do Clube em 2013, com o sócio recente de idade provecta, com o que só agora se encontrou Sportinguista, com quem vê numa selfie um valor de status, com quem vigia a opinião dos outros, com quem se predispõe a determinados serviços a troco de uma palmada nas costas ou dum hamburguer de plástico, com quem se tenta manter à tona mesmo tendo se mudar de discurso conforme a música que toca, com quem adquiriu actividade profissional no Clube à custa de favores, com ex-atletas que se colocam em bicos de pés à espera de uma migalha que caia, com quem marca homem a homem os contestatários em AG, Com os paraquedistas de jogos grandes ou de palco com holofotes, com quem "ladra" insistentemente os estribilhos orquestrados, com quem aceita substituir pelo individual a força do colectivo, com quem bajula, com quem se demite de querer saber, com quem acriticamente aceita e aplaude tudo o que de cima jorre, com quem rejubila com a cada remoque da comunicação, a cada post de facebook ou tweet de twitter, a cada cântico despropositado ou a cada tiro de pólvora seca para os rivais, aprendo com quem vive da desunião e fomenta a guerra como sustento da própria posição, aprendo com quem vê no Clube, acima de tudo um projecto egoísta de poder.

 

Aprendo com todos...acreditem. Como acredito que sempre o farei tendo consciencia que sei sempre menos que o que posso vir a saber.

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publicado às 10:22


12 comentários

De MM a 05.07.2016 às 13:37

Na vida do Sporting, pelo que descreve nos 3 primeiros parágrafos, está aí a razão pela qual espaços de opinião como o seu são tão importantes.

Mais do que direito, é um dever confrontarmos as auto-proclamadas verdades e as reivindicações que frequentemente nos são impostas, quando essas verdades pretendem sustentar-se em si mesmas (nada) e nos são impostas por mera conveniência de quem as proclama. É como diz uma espécie de tirania inaceitável.

Essa confrontação de ideias deverá tomar lugar ainda que envolva perigos e prejuízos. Desde acusações de 'falso sportinguismo' a outras consequências que dela possam advir. Tudo isto é simultaneamente básico mas complicado porque às tantas além de termos de defender o Sporting temos também que nos defender a nós próprios, de gente que não deseja necessariamente mal ao Sporting. Para uns essa (persisto) tarefa ou esse dever é mais desgastante, para outros é menos desgastante, mas é algo que tem de ser feito.

De Profeta a 05.07.2016 às 19:03

Excelente post. Já está nos meios favoritos.

Uma das coisas que BdC de pior trouxe ao Sporting, foi esta treta do que é ser sportinguista. Infelizmente, muitos sportinguistas confundem o clube com a figura do presidente. Quando confrontados com factos, desatam aos insultos. Para eles também há um Sporting "antes" e "depois" de BdC...
Com esses eu não aprendo mesmo nada, e só desejava que eles "crescessem" e acordassem para a vida!

E para isso espaços como este são fundamentais. Nem que seja para termos a nossa consciência limpa, quando o pior estiver para vir...

De Trinco a 05.07.2016 às 19:47

Eu aprendo. E digo-o sem ponta de ironia. Acredito que aprendo tanto com o bom como com o mau, com o certo como com o errado, com os bons como com os maus exemplos. Tudo contribui para o meu conhecimento e para definir, consolidar e fundamentar as minhas opções.

De Profeta a 05.07.2016 às 20:54

Hum... acho que estou a perceber. Aprendemos que aquilo é tudo o que não pode ser o Sporting. Sim, desse ponto de vista, percebo. SL

De Trinco a 06.07.2016 às 08:50

Sim, todas as experiências são conhecimento e aprendemos com as boas e com as más. No limite, como escreve, mostra-nos (e lembra-nos) o que não queremos...

De comentador desportivo a 06.07.2016 às 08:30

Estou em desacordo com esta ideia.

O que diz, é antagónico ao próprio mal, se assim fosse, desapareceria.

O mal destrói.

Não edifica, não constrói.

Não é um mero nada!

É uma energia negativa que quer o caos.

Se todos nós aprendessemos com o mal, o mundo não estaria neste estado involutivo.

O que faz o homem crescer, evoluir, fortalecer-se, é o bem, a bondade, a verdade, a justiça etc.

De Trinco a 06.07.2016 às 09:04

Mas sem o mal, o bem não existe...a vida não existe sem estes contrastes, sem estas oposições. Como quando algo de mal nos acontece na vida, isso contribui para o nosso conhecimento, para a nossa experiência, para a nossa sabedoria e para as opções que possamos vir a tomar de futuro para evitar a repetição. Ou, no desporto, quando perdemos, sendo um momento mau, devemos tirar as devidas lições para evitar a repetição. Nem que seja a lição de como a derrota nos fez sentir, para a seguir darmos muito mais de nós para que não aconteça de novo.

No caso, é a mesma coisa. Ver o que de mau (ou melhor, o que eu reputo de mau) se vai passando, ensina-me (ou reforça-me) o que não quero e os perigos que daí possam surgir. Torna-me mais consciente e sabedor, tendo a noção que nada será nunca a preto e branco...

De comentador desportivo a 06.07.2016 às 11:24

"Mas sem o mal, o bem não existe"

O Bem existe.
Só quando se está num estado de inconsciência, involutivo,de ignorância, é que se precisa de experimentar o que não é bom,e se cai na armadilha .

Uma pessoa não precisa de experimentar a droga para saber que é prejudicial ao organismo.

No entanto á muitas que as utilizam e são destruídos, porquê?pelas razões que já apontei.

"Como quando algo de mal nos acontece na vida, isso contribui para o nosso conhecimento, para a nossa experiência, para a nossa sabedoria e para as opções que possamos vir a tomar de futuro para evitar a repetição"

Na maioria dos casos é apenas uma vivência, não contribui para nossa sabedoria, é uma experiência que geralmente nos trás prejuízo.

Vou repetir o que disse

"Se todos nós aprendessemos com o mal, o mundo não estaria neste estado involutivo."

Tem que se perceber, que o mal não é um mero nada.

O mal não existe para proporcionar experiências, existe para destruir.

O mal aprisiona, drena energia.

É importante que compreenda esta frase
"O que diz, é antagónico ao próprio mal, se assim fosse, desapareceria."

Só o bem edifica, fortalece,

De Trinco a 06.07.2016 às 11:30

Isto já foge demasiado ao foco do post, mas não acredito nas coisas a preto e branco. Acredito em equilíbrios e balanços. E o aprender com um mal não é praticá-lo. É reconhecê-lo para o poder evitar ou combater...

De comentador desportivo a 06.07.2016 às 12:19

"Isto já foge demasiado ao foco do post"

Pois é.

Mas serviu para trocarmos conhecimento, e quem sabe alguém aprender alguma coisa.

De Profeta a 06.07.2016 às 19:48

O "mal" não existe. O que existe é a ausência de "Luz".

Por exemplo: o frio não existe. O que existe é a ausência de calor. Percebem a lógica?

O estado normal das coisas é o "bem", e não o "mal". Como diz o comentador-desportivo, o "mal" cria o caos. E quando assim é, não existe evolução. Quanto muito, uma farsa.

Em condições normais nós nunca teríamos conhecido o "mal". Mas a partir do momento em que existe o "mal", temos a opção de escolher um dos lados, através das nossas próprias experiencias.

Enfim, já é demasiada filosofia. Saudações.

De comentador desportivo a 06.07.2016 às 12:33

Entretanto

Afinal era tudo mentira!
Foi tudo inventado pelos jornalistas.

O vigarista, estava interessado era em defender o bom nome do jogador e do benfica.


Depois da campanha vergonhosa que fizeram, agora vem dizer que afinal não foi ele, foram outros, foi tudo inventado para o encravar.

Mas este idiota droga-se com LSD!?

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