Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



A pressão

por Trinco, em 23.02.16

nail-biting-disease.jpg

 

Todos têm que lidar com ela. Pressão competitiva, pressão intelectual, pressão emocional, pressão física, pressão comunicacional, pressão externa, etc.

 

São os jogadores, relativamente pouco experientes, a terem que lidar com o ir à frente, com a margem de manobra, com as reacções e suas consequencias, com o ruído...

 

São as equipas técnicas a terem que lidar com opções, com cargas, com planeamentos a médio prazo, com decisões com reflexo imediato e decisivo, com as falhas...

 

São as equipas directivas a terem que lidar com expectativas, com a maneira como comunicam, com a maneira como gerem os momentos...

 

E os adeptos? Sim, os adeptos também lidam com a pressão. A pressão social, a pressão para agir e reagir ao impulso comandado, a pressão para estar sempre presente.

 

Mas há uma que estes aparentemente continuam a gerir mal. É a pressão nos jogos, quando a equipa tem momentos (e eles existirão sempre) em que precisa de tempo. E não falo da legitima reacção a uma substituição quando se acha que um jogador não deu nem fez tudo o que devia (pior no caso do Teo quando se verifica a falta de respeito que foi o período natalício alargado), ou até ao grupo na sua globalidade perante um jogo mau. Nem sequer do apoio acrítico tipificado no "bater palminhas" e só porque sim...

 

Falo do que assisti ontem. Dos assobios ao Rui Patrício com pouco mais de 10 minutos de jogo porque ele não despachou a bola imediatamente (não interessava para onde...). Dos assobios e impropérios a um qualquer jogador porque não chutou a bola para a baliza a mais de 40 metros (não interessa que tivesse a equipa adversária quase toda à sua frente). Dos assobios a um jogador por ter falhado um toque claramente por culpa do relvado (um cada vez mais lastimável relvado). Da interacção constante, mais evidente e ruidosa que o apoio com as decisões do árbitro (foi mau, mas convenhamos, irrelevante para o jogo e resultado). Das provocações constantes à claque adversária, feita por avós e netos em moldes muito entendíveis na circunstancia (contra rivais directos até entendo, no calor da emoção, mas contra um Boavista?...).

 

Não são todos. As claques não o são seguramente. Mas já são alguns. E isto é doença que alastra rapidamente quando as coisas correrem menos bem e é ponte que uma vez atravessada se torna num ambiente difícil reverter. Estamos à frente, e queremos estar à frente até Maio. Mas em jogo, devendo ser exigentes, devemos também perceber o nosso papel (e assim os outros percebam os seus) e não contribuir para a pressão negativa exercida sobre aqueles que desejamos sejam os actores da realidade dos nossos sonhos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:00


1 comentário

De Duarte a 23.02.2016 às 15:49

Bom texto.

Tenho ido pouco a Alvalade este ano. A última vez foi com a Académica (3-2) e saí de lá com uma camada de nervos que não me lembrava numa vitória. O público está ansioso e passa esse sentimento à equipa. Os responsáveis, em vez de pôr água na fervura, incitam à histeria...

Sinceramente, temo que não venhamos a ser campeões por culpa própria. A pressão que estamos a meter em nós próprios, os nervos que se transmitem quando se ataca tudo e todos... Parecemos uma criança com medo do cão e o cão (Neste caso, circunstancialmente, o SLB ) já percebeu e vai-nos rondar e morder mal possa.

É o momento de desdramatizar e tirar pressão. de falar do campeonato como uma competição desportiva em que se pode perder e ganhar com a mesma naturalidade. Se ganharmos com um ponto de vantagem seremos tão bons como se perdermos com um ponto de desvantagem. Tal e qual. Face ao que já aconteceu, não ganhar será um drama e acho que a culpa será só nossa.

Oxalá me engane e possamos festejar em Maio.

Comentar post



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Sobre

Sobre o Sporting, com verdade, exigência e espírito critico. Sem reverencias nem paciência para seitas!






Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D