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A hierarquia da discordância

por Trinco, em 04.09.15

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Paul Graham é um ensaísta inglês, além de programador e investidor, responsável embrionário por muito que são as bases da Internet e das tecnologias de informação actuais.

Em 2008, num ensaio intitulado "How to Disagree" propôs uma hierarquia da discordância composta por sete níveis conforme o tipo de argumentos utilizados que podem ser representados na pirâmide acima.

No mesmo ensaio, Graham afirma que subir na escala torna as pessoas menos más e que isso as tornará mais felizes.

E o que tem isto a ver com o Sporting? Tem a ver com a preocupante constatação que a maior parte das discordâncias relacionadas com as opiniões e coisas do Clube, raramente atingem mais que o terceiro nível na resposta. E muitas vezes nem passam do primeiro...

A discordância é boa. É natural. O ser humano vive dela. A evolução, a cultura, a educação, vive dela. Da capacidade de argumentar em nome próprio, da capacidade de pensar coisas diferentes, da capacidade de contrariar as doutrinas vigentes. Como faz parte da habilidade essencial da vida em sociedade o saber acolher e respeitar a opinião alheia. Discordando dela ou não.

Sobre isto, não raras vezes aplico a máxima de Voltaire "Discordo daquilo que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres". Bem se calhar, "até à morte", não iria tão longe.

A opinião alheia existe e não é por a insultarmos que ela desaparece. Nem sequer perderá o seu valor intrínseco. Em caso de discordância, a contra-argumentação, preferencialmente situada acima do nível 5 inclusive deveria ser a bitola, porque abaixo desse nível todo o rebate é irrelevante, desinteressante e de padrão demasiado baixo.

Como atacar o autor não altera o que está escrito nem a sua pertinencia. Raramente o mensageiro é a mensagem.

Outra das ilações que se pode retirar a partir da interpretação do gráfico são as razões pelas quais na maior parte das discussões de lêem a argumentação não passa do acima referido nível 3.

Pode passar por coisas tão prosaicas como deficiências culturais, pura boçalidade, dificuldades de interpretar o escrito, seja por leitura apressada, seja por incapacidade pura, ou analfabetismo funcional, todas aliadas a uma disfuncional vontade de demonstrar uma voz. Um cocktail que poucas vezes dá bom resultado.

Pode passar por uma cedência à velocidade de relacionamento nestas plataformas, uma espécie de toca-e-foge, em que se lê tudo diagonalmente ou pior que isso de "ouvido", por catalogação do autor ou por reacções anteriores.

Mas poderá por passar por uma defesa quase primária de uma doutrina e de um doutrinador. Seja esta espontânea, seja premeditada e patrocinada. E fazem-no sem perceber que essa defesa, a bem de quem querem defender, precisa ser mais elevada desmontando a perspectiva de quem escreve o texto que se comenta. O que convenhamos pode dar muito trabalho, nomeadamente quando se tratam de factos.

Pessoalmente, muitas vezes leio coisas das quais discordo profundamente, mas não tendo tempo para elaborar prefiro abster-me de qualquer comentário, deixando a teoria demonstrar-se errada a si própria com o tempo. Não tenho errado muitas vezes...

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publicado às 15:13


4 comentários

De Valdemar a 07.09.2015 às 13:02

Finalmente um texto com o qual estou de acordo.

Principalmente quando diz que:

Pessoalmente, muitas vezes leio coisas das quais discordo profundamente, mas não tendo tempo para elaborar prefiro abster-me de qualquer comentário, deixando a teoria demonstrar-se errada a si própria com o tempo. Não tenho errado muitas vezes...

Cá estaremos para ver se o escriba estará nas festas dos títulos que conquistarmos. Por agora, torna-se fastidioso desmontar textos alicerçados em meias-verdades, desonestidades mentais ou pura e simplesmente falsidades.

De Trinco a 07.09.2015 às 13:18

Festas não é muito comigo...
No futebol, estive no jogo do titulo em 80 (contra o Leiria) e não fui à festa, em 82 (Rio Ave) e não fui à festa, no mesmo ano, no Jamor (Braga) e não fui à festa, em 87 na 2ª mão da Supertaça (carnide) e não fui à festa, em 85 na taça (Maritimo) e não fui à festa, em 00, não fui ao Porto, mas arrastado pela minha esposa, ainda fui até ao Rossio, em 02, nem com o titulo nem com a taça fui à festa, nem sequer com as taças mais recentes (07, 08 e 15). Mas estive lá sempre. Nesses momentos e nos momentos maus.
De resto, sugeria uma leitura mais atento do texto que diz concordar a não ser que o enfastie e continue a preferir ler os textos em diagonal sem perceber o que são factos e opiniões...

De Valdemar a 07.09.2015 às 13:47

Quando digo "festejar títulos" não me referia a misturar-se com a ralé... Uma pessoa pode festejar vitórias do clube em casa, sozinho.

Se mesmo assim não se permitiu, posso atribuir essa tristeza intrínseca e determinação em não festejar a uma enorme herança religiosa perante a qual é pecado o festejo e temos é que nos penitenciar para um dia entrar no reino dos céus.

A não ser que, por alternativa a festejar vitórias e títulos leoninos, tenha aplaudido o Porto ou até mesmo o Benfica em tais momentos.

Também tal não me supreenderia nada.

Opiniões? Todos temos a nossa. Há quem a dê, aqui e ali e há quem sinta necessidade de construir todo um blog à volta de opinião eternamente divergente.

Aqui entre nós, há alguma coisa que, na sua opinião de herança jesuíta, tristeza intrínseca, elitista social e (diz-me você), leonina, a presente direcção leonina tenha feito de positiva desde que entrou em funções?

Termino pedindo imensa desculpa por ter lido o texto em diagonal, por não ter percebido factos e opiniões. Poderá ter acontecido que li em diagonal por você não me ter conseguido prender a atenção, ou, com tanto verbo, não ter conseguido explicar tão óbvios factos e tão fortes opiniões.

De Trinco a 07.09.2015 às 13:58

Nesse caso, festejei-os todos...sem excepção! Tenha sido antes, durante ou após o projecto Roquette...
E não, os outros, salvo quando o Sporting joga contra eles, para estas apreciações são-me praticamente irrelevantes. E não, não fui dos que aplaudi o Ruben Micael em Alvalade...
A opinião ser eternamente divergente, poderá ser um sinal de coerência quando o de que divergimos, mesmo tendo mudado, continuar a não ser aquilo que consideramos necessário.
Sobre os positivos, é ir ler...se quiser. Por educação sou pouco dado a elogios por considerar contribuírem pouco para nos tornarmos melhores. Sou pouco de palmadinhas das costas...
Não pretendo também prender a atenção de quem lê predispostamente para não se interessar...mesmo sendo disso mesmo que fala o post, especificamente, este post

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Sobre o Sporting, com verdade, exigência e espírito critico. Sem reverencias nem paciência para seitas!






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