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A gestão de excelência

por Trinco, em 04.09.15

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É voz corrente o enaltecimento da excelência de gestão, implacabilidade negocial e enormes feitos financeiros por parte deste Conselho de Administração da SAD.

Concordando que muito de bom foi feito, que se vinha de uma sociedade em cacos e com numerosas e enormes aberrações, fazendo contas, com os dados dos R&C’s e dos comunicados, sendo inegavelmente bom (e não, a bitola não pode ser o anterior Conselho de Administração), não me parece que seja merecedora da excelência que se apregoa.

É inegavelmente boa desde logo pela capacidade demonstrada em produzir algumas mais-valias que raramente se verificaram nas gestões anteriores, nomeadamente para a qualidade dos jogadores em questão.
Também se poderá considerar boa pela resistência e irredutibilidade negocial no cumprimento dos objectivos propostos, ainda que aqui esta possa ser uma faca de dois gumes, funcionando bem ou mal conforme o interlocutor, sendo potenciadora do rompimento relações que levam a perdas.

Também se poderá considerar positiva pela capacidade demonstrada em resistir aos putativos avanços sobre os melhores activos do clube, algo verificado nesta pré-temporada.

No entanto, para gerir, não sendo a SAD uma sociedade financeiramente desafogada que permita grande margem para erros, é preciso comprar, vender e saber fazê-lo. É preciso saber vender o que se tem mas também comprar estrategicamente, aceitando casos em que a valia possa ser apenas desportiva na qualidade imediata e experiencia que aportam, o que se pode vender com previsível lucro.

Como é fundamental perceber e tomar posição no mercado, construindo mais pontes que as que se queimam, mesmo sem nunca ceder à violação princípios de conduta.

É preciso contactos no mercado que permitam não ter que recorrentemente colocar jogadores a custo 0 ficando com fictícias percentagem sobre futuras vendas ou permanecer com embrulhos arrumados naquela prateleira quase inacessível a ganhar pó e a desvalorizar.

E é preciso ter a consciência que, se no meio de muito entulho que existia (que difere do actual apenas e só pelo custo) existe quem já tenha gerado ou possa vir a gerar grande valor, sendo responsabilidade aplicar mais vezes este principio que o outro.

Na realidade, das 10 grandes vendas até agora feitas, apenas duas foram feitas com jogadores contratados desde Março de 2013. As restantes foram de produtos da formação e de jogadores contratados por anteriores administrações. Neste último caso apenas um deles se poderá considerar uma excelente veda (ainda que em contingência derivado de processos paralelos). Os restantes foram assinaláveis resultados de contenção de danos.

De notar que os dividendos produzidos pela formação (de jogadores anteriores a 2013) nestas 3 épocas foram de mais de €26M em apenas 4 vendas (Bruma. Ilori, Dier e Cédric). E alguns dos activos mais valiosos actualmente existentes no plantel (Patrício, Adrien, Carvalho, João Mário, Mané), também daí provêm. O que nos leva à preponderância económica desta faceta da actividade da SAD e à necessidade suprema de a promover e sustentar.

Infelizmente, o que se verifica é que em 3 anos muito pouco foi feito para inverter o rumo que se seguia, mantendo-se a pouca capacidade de atrair, conservar e promover talento. Na realidade, a opção passou por incorporar quase por atacado jogadores de padrão de qualidade bem abaixo do que era a bitola que nos tornou referência na formação, jogadores que entram e saem dos escalões sem deixar qualquer marca ou mais-valia, deixando ir na enxurrada alguns valores para clubes em ascensão na competição directa na formação (felizmente ainda vão ficando alguns projectos interessantes).

Poderá ser algo que faz parte do ciclo. Compreendo que este seja um trabalho que se tenha que fazer com um prazo menos imediatista e que possa dar resultado daqui a alguns anos. Só que isso, interrompendo a fonte de receita proveniente da formação, por um decréscimo de qualidade do produzido, obriga a um critério bem mais apertado nas apostas que se fazem, nomeadamente já nos escalões seniores, com o objectivo de gerem mais-valias desportivas e financeiras.

E a realidade é que dos 17 jogadores de 2013/2014, apenas um gerou uma receita interessante (Maurício), e apenas três poderão também fazê-lo (Jefferson, Slimani e Montero). O resto ou já não faz parte dos quadros, sem que qualquer mais-valia tenha sido gerada, ou arrasta-se em empréstimos ou épocas consecutivas na B como pouca perspectiva de subir à A.

Dos 12 de 2014/2015, um poderá ser considerado a venda da década tal o diferencial entre o valor desportivo e o económico (Sarr - assumindo o valor de “até” referido no comunicado), outro (Oliveira) poderá também gerar receita, cumprindo os restantes, até agora, os desígnios atrás referidos, sendo que alguns já não custaram exactamente tostões.

Dos 8 de 2015/2016, sendo que um entrou e saiu com menos de duas dezenas de minutos de jogo, tirando um (Paulista) dificilmente algum, pela idade, poderá gerar qualquer mais-valia.

E não vale a pena referir como sucessos negociais, activos que entram e saem pelos mesmos valores. Isso não é boa gestão. São contratações falhadas, muitas vezes com custos escondidos.

Assim, além dos poucos casos acima mencionados (5 em 35) ficaremos mais uma vez essencialmente dependentes dos produtos da formação prévios a 2013 (Patrício, Esgaio, Figueiredo, Adrien, Martins, Carvalho, João Mário, Mané, Gelson, Wallyson, Palhinha, Semedo, Chaby, Medeiros, etc.) sendo necessário, fundamental mesmo que estes tenham espaço para evoluir e valorizar e caso se consiga resolver a renovação de um jogador de 2011, o que para excelência de gestão, diga-se não me parece cumprir os padrões. Será positiva, concedo, mas dificilmente de excelência.

Nota 1: Os números presentes são retirados dos R&C’s e comunicados da SAD.

Nota2: Este texto foi começado a escrever ontem, antes da simpatica peça hoje publicada por um jornal e só não foi publicado antes por a actualidade se lher ter ganho precedencia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:00


2 comentários

De DiaDoClubeÉMerda a 07.09.2015 às 03:00

E o Paulo Oliveira não pode gerar mais valia? Pqp para este croquete

De Trinco a 07.09.2015 às 08:42

Se calhar valia a pena saber ler:
"...
Dos 12 de 2014/2015, um poderá ser considerado a venda da década tal o diferencial entre o valor desportivo e o económico (Sarr - assumindo o valor de “até” referido no comunicado), outro (Oliveira) poderá também gerar receita, cumprindo os restantes, até agora, os desígnios atrás referidos, sendo que alguns já não custaram exactamente tostões.
..."
Sobre o resto: http://diadoclube.blogs.sapo.pt/a-hierarquia-da-discordancia-25944

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