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A construção do futuro

por Trinco, em 31.03.16

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Mais um dia, mais uma peça de propaganda eleitoral. E aqui, das duas três: Ou as eleições estão bem mais perto do que qualquer um de nós supõe (anseia-se pelo surgimento de um rosto que assuma a oposição para legitimar uma antecipação das eleições), ou iremos a prazo iniciar um período de reposições temáticas ao estilo da programação estival dos nossos canais de televisão, ou ainda, veremos o controle das fotocopiadoras ou o papel higiénico de folha simples e o seu racionamento a duas folhas por utilizador como factores decisivos na "construção do futuro".

 

Nesta peça, mais uma vez se confunde a construção do futuro, com a gestão do presente.

 

Refere-se a recuperação de percentagem de activos a fundos salientando alguns e omitindo outros menos sonantes, refere-se a integração de formados no plantel, omitindo que podiam ser mais, bem mais não fosse a sua gestão e intervenção em alguns processos, refere a intervenção da actual direcção no actual plantel esquecendo-se que já é responsável pelo mesma há 3 épocas e que após a contratação de mais de 30 jogadores para esta equipa, estranho seria se tal não acontecesse, refere o deve e haver dos encaixes financeiros na sua gestão, omitindo que a esmagadora percentagem se deve a jogadores que já cá estavam (ainda se gabasse a capacidade negocial).

 

A construção do futuro faz-se com critério e estratégia. Programando, antecipando e dotando o Clube de meios para poder ser mais forte, para ser mais sustentado.

 

 

A construção do futuro faz-se com uma aposta na formação, com uma aposta em jogadores que possam ser uma mais valia desportiva e financeira. E essa mais valia não são seguramente as centenas de milhar de euros que servem como argumento da excelência, esquecendo que em salários ela se esvai, como vazia foi, por ser claramente impossível de obter por fraca qualidade, a mais-valia desportiva.

 

A construção do futuro faz-se sendo cirúrgico e não desperdiçando recursos em mais de 80 jogadores nas diversas equipas, em 3 anos, dos quais 30 já saíram dos quadros, 9 se encontram em empréstimos, e com boa vontade, 4 ou 5 se podem vir a considerar como mais-valais.

 

A construção do futuro faz-se percebendo que os 80 acima ocuparam e ocupam lugares de jovens que já cá estavam, sem vantagem desportiva na maior parte dos casos, e obrigando estes muitas vezes a procurar outros lugares para poderem desenvolver a carreira.

 

A construção do futuro faz-se com uma politica de contratações que em programa eleitoral afirmava que jogadores estrangeiros só se fossem claras mais valias, mas que na gestão real mistura Slimanis com Cissés e Shickabalas ou Coates com Sarrs, Rabias e Cianis.

 

A construção do futuro faz-se resolvendo renovações atempadamente como se fez (e bem) inextremis com o William (que se esquece de referir só teve oportunidade em 13/14 por intervenção directa de do seleccionador S21 Rui Jorge) mas que se falhou com muitos outros...(já sei, a culpa é dos jogadores e dos agentes)

 

A construção do futuro fez-se em anos anteriores com a captação de meios e sua formação. Patrício está no Sporting desde 1999, Esgaio desde 2004, Figueiredo desde 2004, Semedo desde 2009, Adrien desde 2002, Carvalho desde 2005, João Mário desde 2003, Mané desde 2001, Gelson desde 2010, Pereira desde 2009.

 

Quantos, entrados desde 2013, estarão aptos a entrar no plantel principal a prazo?

 

Ou quantas mais valias serão geradas com jogadores contratados desde 2013?

 

A construção do futuro fez-se com a politica de empréstimos que potencie esses meios humanos. Seguramente, João Mário não seria o que é se não fosse aquele ano em Setúbal. Como Semedo não é o que é pelo empréstimo a uma equipa de um campeonato muito secundário de Espanha e só voltou ao radar quando regressou ao mesmo Setúbal. Ou quando com uma politica de integração de jovens na equipa B (e até A) que se entenda e que não lhes dê todas as mensagens erradas sobre as apostas e o seu futuro.

 

Que mensagem se dá aos jovens que vinham ganhando o seu espaço quando se vêm relegados para fora de convocatórias por causa de jogadores estrangeiros de mais valia duvidosa?

 

Que mensagem se dá aos jovens quando ambos os lados da mesma moeda o dão como vendido e como aposta ao mesmo tempo?

 

Que mensagem se dá aos jovens que entram na B quando são preteridos em favor dos "castigados e excedentes" da A?

 

Que mensagem se dá aos jovens quando os mandam emprestados para Huelvas ou Reus?

 

Que mensagem se dá aos jovens (e aos pais) com o ambiente conflituoso, pleno de intrigas e facadas, com as dificuldade de meios e condições que actualmente acontecem na Academia?

 

A construção do futuro é estratégica, mas não se esgota em peças de campanha e propaganda.

 

Nota: não deixa de ser irónico o recurso à "folhinha de excel"...

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publicado às 10:45



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